Em uma das cidades mais ricas do mundo, 200 mil pessoas vivem em apartamentos-caixão menores que um banheiro com somente 1,5m²

20.10.2026

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Em uma das cidades mais ricas do mundo, 200 mil pessoas vivem em apartamentos-caixão menores que um banheiro com somente 1,5m²
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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 11.06.2026 20:53 comentários
Mundo

Em uma das cidades mais ricas do mundo, 200 mil pessoas vivem em apartamentos-caixão menores que um banheiro com somente 1,5m²

Os cubículos revelam como a desigualdade habitacional empurra moradores pobres para espaços mínimos em uma das cidades mais caras do planeta

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Em uma das cidades mais ricas do mundo, 200 mil pessoas vivem em apartamentos-caixão menores que um banheiro com somente 1,5m²
Subdivisões residenciais extremas expõem graves crises habitacionais urbanas.

Em uma das cidades mais ricas do mundo, milhares de pessoas dormem, comem e passam os dias em espaços menores do que um banheiro. Em Hong Kong, os chamados apartamentos-caixão têm cerca de 1,5 metro quadrado e abrigam cerca de 200 mil moradores que não conseguem pagar por nada maior. O que parece impossível é, para muitos, a única opção disponível.

O que são os apartamentos-caixão e como eles existem

Os cubículos surgem de reformas ilegais em prédios antigos. Andares inteiros são divididos horizontalmente para criar níveis extras, reduzindo o pé-direito a ponto de os moradores não conseguirem ficar de pé. Em um dos apartamentos documentados, um imóvel de 75 metros quadrados foi subdividido em 30 unidades, abrigando 26 pessoas sem nenhuma janela.

O espaço é pouco maior que o comprimento de um corpo humano. Dentro dele cabem uma cama, roupas, comida, eletrônicos e os pertences de uma vida inteira. Trocar de roupa, comer ou simplesmente se virar exige esforço e adaptação constante. Corredores viram sapateiras, escadas servem de armário e ventiladores ficam do lado de fora porque não cabem dentro.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Documentários Ruhi Çenet mostrnado como é viver dentro de um “apartamento-caixão” em Hong Kong.

Quem são as pessoas que vivem nesses espaços

Os moradores retratados incluem trabalhadores de baixa renda, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade social e ex-detentos com dificuldade de reinserção. M. Lee trabalha como faxineira de meio período, ganha cerca de 650 dólares por mês e paga 320 dólares de aluguel, quase metade da renda, por um cubículo que mal cabe duas pessoas. Ela come fast food na própria cama e usa o celular como única forma de entretenimento.

John vive há 18 anos em uma unidade onde não consegue fechar a porta porque seu corpo não cabe completamente no espaço. O ombro fica para fora. Ele passa os dias assistindo televisão e diz ter medo de sair por temer que as pernas falhem. Já o Sr. Lee afirma, sem ironia, que uma cela de prisão seria mais confortável: oferece mais espaço e banheiro próprio.

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Os riscos à saúde de quem vive nessas condições

As consequências para o corpo e a mente são documentadas e graves. Moradores relatam pressão alta, dificuldades respiratórias, ansiedade e depressão causadas pela falta de espaço, luz natural e ar fresco. Sem cozinha, muitos preparam comida no banheiro, ao lado do vaso sanitário. As condições favorecem ainda:

Impactos e Riscos Descrição das Condições
Problemas de Vetores Infestações de percevejos, com marcas de picadas visíveis no corpo dos moradores.
Insalubridade Ambiental Mofo nos tetos e acúmulo de lixo próximo às camas.
Risco Alimentar Contaminação de alimentos por falta de higiene adequada.
Restrição Física Sedentarismo extremo pela impossibilidade de se mover dentro do espaço.
Consequências Sociais Isolamento social e perda de vínculos familiares ao longo dos anos.
Reformas ilegais criam cubículos minúsculos sem nenhuma ventilação natural.

Por que sair desses cubículos é quase impossível

O mercado imobiliário de Hong Kong é um dos mais caros do planeta. Um apartamento pequeno de um quarto pode custar mais de 1 milhão de dólares para compra. No aluguel, uma unidade em bairro médio chega a 4 mil dólares por mês. Para trabalhadores que ganham menos de 1.500 dólares mensais, qualquer alternativa formal está fora do alcance.

A habitação pública existe, mas a fila de espera ultrapassa 10 anos. Para quem não tem dinheiro e não consegue esperar, o cubículo não é uma escolha, é uma armadilha. E quando a vida termina, a escassez continua: lotes em cemitérios podem custar até 128 mil dólares. As cinzas dos mais pobres são guardadas em compartimentos do tamanho de uma caixa de sapato.

Uma cidade rica que empurra os mais pobres para dentro de gavetas

Hong Kong tem 7,5 milhões de habitantes, expectativa de vida entre as mais altas do mundo e uma concentração de riqueza visível em cada esquina. Carros de luxo, arranha-céus envidraçados e shoppings de grife convivem com idosos que catam papelão nas ruas e trabalhadores que dormem em espaços onde não conseguem esticar os braços. Coco, moradora há 10 anos em um cubículo, já viu vizinhos morrerem sozinhos e só descobertos dias depois, quando o cheiro se espalhava pelo corredor.

A crise das casas-caixão não é um problema de falta de espaço físico. É um problema de escolha sobre quem merece ocupar esse espaço. Em uma cidade que tem tanto, a decisão de deixar 200 mil pessoas vivendo em gavetas diz mais sobre prioridades do que sobre limitações. Enquanto isso, do lado de fora, a cidade continua brilhando.

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