Em carta, Melania Trump pede a Putin proteção a crianças em meio à guerra
Documento foi entregue em mãos por Donald Trump, durante a reunião no Alasca; leia
A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump (foto), redigiu uma carta dirigida ao ditador da Rússia, Vladimir Putin, pedindo atenção às crianças afetadas pela guerra na Ucrânia. O documento foi entregue em mãos pelo presidente Donald Trump, durante a reunião entre os dois líderes realizada na sexta-feira, 15, no Alasca.
Embora não tenha citado diretamente a invasão russa iniciada em 2022, a carta pedia a Putin para proteger “uma inocência que está acima da geografia, governo e ideologia”. Em outro trecho, Melania escreveu que o líder russo poderia “restaurar sozinho” o “riso melódico” das crianças presas no conflito.
“Protegendo a inocência dessas crianças, você fará mais do que servir apenas à Rússia — você serve à própria humanidade”, escreveu a primeira-dama, em papel timbrado da Casa Branca.
Uma cópia foi obtida pela imprensa americana e circulou nas redes sociais, compartilhada inclusive pela procuradora-geral Pam Bondi.
Segundo a agência Reuters, assessores do governo americano confirmaram que a carta fazia menção aos sequestros de crianças após a invasão russa. Estima-se que mais de 20 mil menores tenham sido levados para a Rússia ou para áreas ocupadas, sem consentimento de familiares.
Leia mais: Sequestro, deportação e russificação das crianças ucranianas
O que diz a carta de Melania?
A carta de Melania não cita explicitamente os crimes de guerra cometidos por Putin.
“Querido presidente Putin”, inicia Melania. “Toda criança guarda no coração os mesmos sonhos silenciosos… Elas sonham com amor, possibilidade e proteção contra o perigo.”
Em outro trecho, escreveu:
“No mundo de hoje, porém, algumas crianças são obrigadas a carregar um riso silencioso, intocado pela escuridão ao seu redor — uma resistência silenciosa contra as forças que podem reivindicar seu futuro.”
A carta termina com um apelo direto:
“Uma ideia tão ousada transcende todas as divisões humanas, e o senhor, sr. Putin, está apto a implementar essa visão com um simples traço de caneta hoje. É chegada a hora.”
Putin foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em 2023 por crimes de guerra relacionados justamente ao sequestro e à transferência de crianças ucranianas. Ele enfrenta ordem de prisão em 125 países. Moscou, por outro lado, afirma que apenas protege menores “vulneráveis” de zonas de combate.
Zelensky agradece
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agradeceu o gesto da primeira-dama em ligação feita a Trump no sábado, 16, segundo o chanceler Andrii Sybiha.
“Durante a conversa, o presidente Zelensky também expressou sua gratidão à primeira-dama Melania Trump por sua sincera atenção e pelos esforços para trazer de volta as crianças ucranianas deportadas à força”, escreveu Sybiha no X.
“Este é um verdadeiro ato de humanismo.”
A Ucrânia considera os sequestros um crime de guerra e aponta que a prática atende à definição de genocídio prevista pela ONU. Organizações como a Save Ukraine acusam a Rússia de “tráfico infantil patrocinado pelo Estado”, denunciando até a existência de catálogos de crianças em regiões ocupadas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)