“Ela?”: advogada confronta jornalista sobre atleta trans
Jornalista e jurista divergem sobre atletas trans em esportes femininos; vídeo viralizou nas redes sociais
A advogada californiana Julie Hamill e a âncora da CNN americana, Brianna Keilar, protagonizaram uma discussão acalorada ao vivo, em torno da participação de atletas trans em esportes femininos.
O confronto, que viralizou nas redes sociais, teve como foco o caso de AB Hernandez, atleta masculino que se identifica como mulher e vem vencendo provas de atletismo na categoria feminina na Califórnia.
Hamill, que preside o California Justice Center, argumentou que a presença de atletas trans em equipes femininas é injusta e viola a legislação federal que proíbe discriminação por sexo em instituições educacionais.
Ela afirmou que Hernandez, por ser biologicamente do sexo masculino, deveria competir na categoria correspondente ao seu sexo de nascimento.
“AB Hernandez é um homem que se identifica como mulher. O justo seria competir na categoria masculina. Não é justo para as atletas femininas competirem contra um homem”, declarou.
Keilar, por outro lado, insistiu em tratar Hernandez pelo pronome feminino e questionou como seria possível estruturar competições que fossem justas tanto para atletas trans quanto para as demais competidoras.
“O que tornaria justo para ela competir?”, perguntou a jornalista. Hamill reagiu de imediato: “Quem é ‘ela’?”
Durante a conversa, a âncora sugeriu que a verdadeira ameaça à integridade dos esportes femininos estaria na iniciativa do presidente Donald Trump de cortar verbas federais de estados que permitem a participação de atletas trans em categorias femininas.
Hamill rebateu que a retirada de recursos é prevista em lei para instituições que descumprem o Título IX e que cabe ao governo estadual se adequar à norma federal, não responsabilizar Trump.
Keilar também alegou que há interpretações divergentes sobre o alcance do Título IX. Hamill, contudo, reiterou que a lei é clara e que o estado da Califórnia precisa cumpri-la para evitar prejuízos a todos os alunos.
A discussão se estendeu ao impacto de procedimentos de mudança de sexo em menores de idade.
Hamill alertou para os efeitos permanentes dessas intervenções e defendeu que o tema possa ser debatido abertamente, sem acusações de intolerância.
- Leia abaixo o trecho que viralizou nas redes sociais:
KEILAR: O que tornaria justo para ela competir, para aquelas que estão competindo contra ela? Como seria esse tipo de estrutura nas competições?
HAMILL: Quem é “ela”?
KEILAR: AB, AB…
HAMILL: Certo, AB Hernandez é um homem que se identifica como mulher. O que seria justo é que Hernandez competisse na categoria masculina. Não é justo que mulheres tenham que competir com um homem.
KEILAR: Ok, então, sobre a ameaça de corte de verbas federais feita por Trump — isso prejudicaria todas as atletas designadas do sexo feminino ao nascer?
HAMILL: A ameaça de corte de verbas federais dele prejudicaria atletas?
KEILAR: Se o dinheiro for cortado.
HAMILL: Certo, a lei diz que escolas que não cumprem o Título IX ou outras leis federais não podem receber fundos federais. Então isso não é culpa do Trump. O problema é com o estado —
KEILAR: Mas você entende, Julie, que existem duas interpretações sobre o Título IX. Então, nesse sentido, se os recursos forem cortados por causa de atletas trans, nem todo mundo concorda com você, acho que temos que deixar isso claro. Se você está tirando os recursos dos atletas, dos estudantes atletas na Califórnia, isso não vai prejudicar todos eles?
HAMILL: Cortar os fundos federais vai prejudicar todas as crianças da Califórnia, por isso o estado da Califórnia precisa cumprir a lei federal.
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Comentários (3)
Fabio B
05.06.2025 14:24Márcio Roberto Jorcovix, sua solução é linda, mas utópica e impraticável. Quem vai bancar essa nova categoria? Todo o resto? Sinceramente, você acha que teria público para isso? Mas e os outros tipos de desigualdades precisarão de categoria especial também? As coisas são como são. Quem nasce fora da norma, ou se adapta ou fica de fora. Não é a norma que tem que se ajustar.
Fabio B
05.06.2025 14:21Não tem que tornar nada justo. Se nasceu homem ficará restrito na categoria de homem, independente de como se identifica ou qualquer condição especial que possua. .Imaginem um anão que sonha em ser jogador de basquete. Deve-se então reduzir a altura da cesta de basquete nos esportes olímpicos para garantir sua inclusão? Não. Os diferentes da norma devem ser respeitados, mas norma é norma.
Márcio Roberto Jorcovix
05.06.2025 10:46A solução para este enrosco é muito simples. Basta criar uma categoria que contemple os que se acham ou são biologicamente de sexo diferente ao nascimento. Eles(as) competiriam entre si ou então competiriam no mesmo sexo de nascimento. Tá resolvido