Eisenkot recebe a missão de formar governo em Israel
Ex-chefe de gabinete e líder do Yashar precisa negociar com os partidos árabes
O presidente de Israel, Isaac Herzog, decidiu conferir o mandato a Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, para tentar formar um novo governo.
A cerimônia formal ocorre neste domingo, às 17h, na Residência Presidencial em Jerusalém.
Eisenkot terá 28 dias para formar um governo.
Se necessário, Herzog poderá conceder a ele uma prorrogação de até 14 dias.
Em publicação no X, o líder da oposição escreveu: “É hora de formar um governo de emergência nacional. Farei de tudo para que sejamos dignos.”
Impasse
Eisenkot precisa resolver o impasse político.
Nem a coalizão do Yashar nem a coalizão de Netanyahu alcançaram maioria clara para formar um governo.
O bloco de Netanyahu deve ocupar 53 assentos, enquanto o bloco da oposição soma 48 assentos.
Nenhum dos dois tem assentos suficientes para formar uma maioria no Knesset israelense de 120 membros.
Os partidos árabes, que somam 19 assentos, serão os fiéis da balança.
Se Eisenkot e seus aliados da oposição optarem por se alinhar com os partidos árabes, poderiam encontrar um caminho para formar um governo.
O líder do Partido Democrata, Yair Golan, instou o bloco da oposição a superar suas divisões para garantir uma coalizão.
Mas outros aliados, incluindo os líderes de direita Avigdor Lieberman e Naftali Bennett, descartaram categoricamente a formação de um governo que inclua os partidos árabes.
Resta saber se conseguirá superar a rejeição de aliados aos partidos árabes.
Gadi Eisenkot
Filho de imigrantes marroquinos, de origem Mizrahi, Eisenkot é um general das Forças de Defesa de Israel.
Ele se alistou na Brigada Golani em 1978 e, ao longo de uma carreira de 40 anos, chegou a chefe de gabinete de 2015 a 2019, servindo sob Netanyahu.
Há cerca de um ano, o líder do Yashar emergiu como principal oposição ao premiê.
Ele entrou na política em 2022 ao lado de outro ex-chefe de gabinete, Benny Gantz.
Após o ataque liderado pelo Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, os dois se juntaram ao gabinete de guerra de emergência de Netanyahu.
Mas saíram em junho de 2024, apontando para a ausência de uma estratégia clara de pós-guerra.
Morte do filho
Seu filho mais novo, Gal, morreu em 7 de dezembro de 2023, dois meses após o massacre de 7 de outubro, lutando na guerra contra o Hamas.
“Sobre o túmulo de Gal, eu jurei que o preço que ele e seus amigos pagaram, aqueles que ele conhecia e aqueles que ele não conhecia, não seria em vão”, escreveu Eisenkot no jornal Yedioth Ahronoth em abril de 2026.
João Pedro Farah, direto de Tel Aviv, em Israel
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