Eduardo volta a usar Trump como ameaça
"Tem um cara nos Estados Unidos que eu acho que não vai reconhecer a eleição brasileira", diz o filho 03 de Bolsonaro; mas Trump não parece estar muito interessado no assunto
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP, foto) publicou um vídeo para refazer ameaças usando o presidente Donald Trump, que não parece muito interessado no caso da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro há meses.
O filho 03 de Bolsonaro parte da eleição no Chile para dizer que “o Brasil vai dar uma guinada à direita” e que “não tem como uma candidatura de direita verdadeiramente de direita ir adiante sem o apoio do Jair Bolsonaro”.
“Meus amigos, esse primeiro turno da eleição chilena é um baita recado para a eleição do Brasil do ano que vem. Se a gente olhar para a América Latina, por exemplo, a Argentina. Você acha que a imprensa tratava o [Javier] Milei como um moderado ou como um radical? A mesma coisa acontece com José Antônio Kast. O Jair Bolsonaro, não preciso nem falar para vocês, né? E, se a gente for para a Europa, ainda tem vários outros recados. O Chega, que não tinha representação do Parlamento Europeu. agora tem duas cadeiras. O Vox, partido da Espanha verdadeiramente de direita, dobrou o número de eurodeputados, e, assim, vários outros países. A Hungria nem se fala. A Alemanha, agora, tem um chanceler mais à direita, dentre outros. A França. A ascensão, na França, da Marine Le Pen, inclusive, está forçando a situação da França, a colocar ela na cadeia, tentando tirar ela das próximas eleições francesas. Nos Estados Unidos, tem o Trump, a mesma coisa”, analisou o deputado, antes de chegar a suas projeções sobre o Brasil:
“Então, o que que acontece: o Brasil vai dar uma agnada à direita. O que o sistema está tentando fazer é se esquivar, para não deixar alguém tão alinhado com Bolsonaro chegar ao poder. Seja o Bolsonaro, que está agora e encarcerado; tem a minha situação, que agora acelera o meu processo por um crime fantasioso de coação, se expondo ao ridículo a Suprema Corte, de aprovar um processo sem pé nem cabeça contra mim. E, se você colocar tudo isso no mesmo pacote, você vai perceber que não tem como uma candidatura de direita, verdadeiramente de direita, ir adiante sem o apoio do Jair Bolsonaro, que já começa, em qualquer pesquisa, com mais de 40% dos votos.”
“Tem um cara nos Estados Unidos”
“Então, se forem se aventurar de querer colocar alguém pintado fantasiosamente de direita para concorrer sem o apoio de Bolsonaro, pode ter certeza isso vai abrir um flanco imenso para vir alguém de última hora e surfar essa onda, tal qual aconteceu em São Paulo, na eleição para a prefeitura. Esse vácuo foi preenchido lá pelo [Pablo] Marçal”, argumentou Eduardo, sem mencionar que Marçal não conseguiu chegar nem ao segundo turno naquela eleição.
“Então, meus caros, a gente tem que apoiar aqueles que verdadeiramente representam os nossos valores e, se for mantida a prisão de Bolsonaro e se o sistema brasileiro quiser optar por um caminho igual ao da Venezuela, que, em cima da eleição, deixou a Maria Corina Machado inelegível durante 15 anos, ou ainda seguir o caminho da Nicarágua, que é o que mais parece com do Brasil, prendendo os opositores presidenciáveis que possam bater de frente com esse sistema e colocar o interesse do brasileiro em primeiro lugar, lamento dizer, mas tem um cara nos Estados Unidos que eu acho que não vai reconhecer a eleição brasileira”, seguiu o deputado.
Segundo Eduardo, que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada, “o Brasil está correndo um sério risco de, a seguir por um caminho ditatorial, não ter as eleições reconhecidas”.
“Se isso se verificar, meus caros, vocês vão ter saudades do tempo em que a ‘tarifa Moraes’ era de apenas 50%, porque, se isso acontecer, isso vai demonstrar o quê? Uma degeneração das instituições brasileiras, uma queda da democracia brasileira tão visível e tão clara que não vai ser só os Estados Unidos que vai se posicionar dessa maneira, podem ter certeza, mas outros países podem seguir este exemplo”, completou, finalizando:
“Que Deus abençoe o Brasil, que nós consigamos aprovar a anistia e ter uma eleição livre com ampla participação da oposição e não sendo vítimas não só do sistema, mas dos ditos moderados, que estão adorando assistir o Jair Bolsonaro sendo tirado da corrida presidencial, porque sabem que não é só sobre Bolsonaro, é sobre a bancada que o Bolsonaro pode eleger no Congresso também.”
Um problema
O problema do discurso do filho do ex-presidente é que Trump não parece tão incomodado com as eleições no Brasil, assim como outros chefes de Estado.
Desde que envolveu o que chamou de “caça às bruxas” contra Bolsonaro no anúncio de seu tarifaço, o presidente americano só tocou no nome do ex-presidente brasileiro quando foi questionado por repórteres brasileiros, e seus subordinados se reúnem com autoridades do governo Lula para tratar da tarifa extra periodicamente desde a Assembleia Geral da ONU, em setembro.
Os bolsonaristas desdenham da falta de resultados expressivos das reuniões, mas, até outro dia, debochavam do fato de os governos Lula e Trump nem sequer conversarem.
Tudo pode mudar de uma hora para a outra com Trump, mas, hoje, não faz muito sentido fazer ameaças no Brasil usando o nome do presidente americano.
Leia mais: Eduardo no mundo do Lula
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Comentários (2)
Ivan Kolouboff
20.11.2025 19:46A redução de tarifa anunciada por Trump deu uma esvaziada no discurso dos Bolsonaristas.
Maglu Oliveira
20.11.2025 14:18O Banana Podre (parente do Maduro?) confunde alhos com bugalhos. Ele diz q o CHEGA tem 2 cadeiras no Parlamento Europeu num total de 720. Puxa, que invasão! ***Espanha tinha 56 antes de 2024, agora tem 61. Dobrou? De matemática o Bananinha tb é muito "bom" *** A Hungria continua com os mesmos 21 que tinha antes de 2024 então ñ há mesmo o que falar*** O chanceler Friedrich Merz é do mesmíssimo partido CDU que Angela Merkel, aliás, os 2 eram "inimigos mortais", ele só pode se candidatar quando ela não quis mais. Os dois são de centro-direita. Os mencionados "dentre outros" certamente ele quis dizer o partido AfD, um partido de extrema-direita eleito por neonazistas. Um partido mais à imagem da família Bolsonaro. Longe, mas muito longe do atual chanceler que, inclusive, se recusa a fazer coalisão com ele*** Na França, a própria Marine Le Pen se recusou a apoiar o AfD, muito extremista para o gosto da francesinha ***Maria Corina é sim de direita, mas uma do estilo Merz/Merkel, semelhante a Bolsonaro nem em pesadelo ***O Brasil vai, sim, dar uma "agnada" (ou guinada?) à direita, mas não com Bolsonaros. NENHUM!!!! Esse Banana acha que todo mundo que o assiste é analfabeto funcional como ele e família.