Drone russo mata 14 em estação de embarque na Ucrânia
Ofensiva ocorre no terceiro dia de trégua local em Kherson; Zelenski e Macron cobram resposta dos aliados
Um drone russo movido a jato acertou nesta quinta-feira, 29, a plataforma de embarque da estação ferroviária principal de Dnipro, no momento em que um trem suburbano se preparava para seguir a Zaporíjia. Ao menos 14 pessoas morreram e outras 14 ficaram feridas, segundo a administração regional. Com dois ataques em outras cidades, o total do dia chegou a 19 mortos.
O ataque em Dnipro
Das 14 vítimas feridas, seis estão em estado grave com lesões provocadas por estilhaços, entre elas um menino de 11 anos e um
homem que perdeu as duas pernas. A estatal Ukrzaliznytsia confirmou o impacto na plataforma. Imagens dos serviços de emergência mostram corpos no local, socorristas atendendo sobreviventes e dois trens de passageiros em chamas, com janelas quebradas.
O presidente Volodimir Zelenski chamou o ataque de “horrendo” e disse que ele exige resposta dos aliados de Kiev. Em Chernigiv, ao norte da capital, um bombardeio em uma rua movimentada do centro matou duas adolescentes de 15 anos e feriu 23 pessoas, quatro delas crianças, conforme a administração militar.
Em Kremenchuk, na região central, outro drone atingiu um prédio residencial de vários andares. Três pessoas morreram, e 15 ficaram feridas, incluindo uma menina ou menino de seis anos, segundo o governo local.
O primeiro-ministro, Sergiy Koretskyi, disse que “a Rússia está deliberadamente caçando civis: em trens, estações e edifícios residenciais”.
Trégua restrita e sanções
Os ataques ocorrem durante uma trégua humanitária de seis dias, mediada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. Moscou informou que o acordo vale apenas para a região de Kherson, no sul, e permite a entrada de ajuda em Oleshky, cidade sob controle russo desde 2022, onde moradores relatam falta de comida, água e remédios.
Os dois países afirmam que a pausa seguia respeitada no terceiro dia. O defensor público de direitos humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets, disse ter “partido com a delegação ucraniana rumo a Oleshky”, em trajeto por Belarus e Rússia. Na quarta-feira, 28, Zelenski havia dito que seria um “grande sucesso” se o cessar-fogo permitisse retirar civis isolados.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que é preciso “muito mais do que um cessar-fogo localizado”. Ele acrescentou: “É intolerável que a Rússia continue rejeitando todas as propostas nesse sentido, optando, em vez disso, por intensificar a escalada e atacar civis”.
Zelenski também criticou o acordo firmado neste mês entre Vladimir Putin e Donald Trump, que aliviou parte das sanções e autorizou Moscou a voltar a exportar diesel. Ele questionou: “Quantos ataques terroristas como este a Rússia realizou contra o nosso povo desde que as sanções foram suspensas para alguns oligarcas russos e para o setor energético, em vez de haver uma redução das tensões?”
No início desta semana, o Kremlin declarou que não vai diminuir o ritmo geral da guerra, apesar dos preparativos para retomar as negociações mediadas pelos EUA.
Russos e ucranianos devem se reunir em novembro com enviados americanos, mas sem datas definidas. Moscou pede mais território no leste ucraniano e restrições militares e políticas a Kiev. A Ucrânia e seus aliados dizem que ceder terra equivaleria a capitular.
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