Ditador da Nicarágua diz que “não haverá mais eleições”
Daniel Ortega reaparece depois de “sumiço” de dois meses, ataca processo eleitoral e acusa oposição de golpistas
O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, voltou a público no domingo, 19, durante ato comemorativo da Revolução Sandinista, e garantiu que qualquer processo eleitoral democrático não terá chance no país.
“Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder”.
Para Ortega, “história de partidos instalados pelos ianques, instalados pelo regime de Somoza, chegando ao poder, acabou. […] Não importa quanto dinheiro os ianques deem, eles não conseguirão”.
O golpista que deseja prevenir o suposto golpe da oposição não explicou qual mecanismo legal sustentará a medida, mas afirmou que passará a atuar junto à Assembleia Nacional para barrar o que chama de partidos de oposição financiados pelos Estados Unidos.
Discurso contra opositores
O dirigente afirmou ainda que trabalhará com o Legislativo, composto majoritariamente por correligionários, para “erguer um muro, um bloqueio contra os golpistas, os traidores”.
Ele citou o histórico do país, mencionando o regime desfeito pela revolução de 1979: “A história de partidos instalados pelos ianques, instalados pelo regime de Somoza, chegando ao poder, acabou. […] Não importa quanto dinheiro os ianques deem, eles não conseguirão”.
Eleições já eram questionadas
A ausência de um novo pleito, na prática, não alteraria de forma significativa o cenário político nicaraguense.
Acusações de fraude nas urnas existem desde 2008, e a eleição presidencial de 2021 só ocorreu depois da prisão de todos os candidatos com condições de disputar o poder contra Ortega. Boa parte dos opositores hoje vive fora do país ou perdeu a nacionalidade nicaraguense, classificada como punição a “traidores da pátria”.
O anúncio ocorre em um momento de maior atuação dos Estados Unidos na região. Em junho, o governo americano impôs restrições de visto a mais de cem autoridades nicaraguenses, dias após a morte sob custódia do líder indígena Brooklyn Rivera, preso desde setembro de 2023.
Na ocasião, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou: “Os EUA estão ao lado do povo nicaraguense que, assim como Rivera, aspira a ver uma Nicarágua livre”.
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Comentários (2)
Marian
21.07.2026 10:42Isso lembra muito o antiquíssimo coronelismo, com seu voto de cabresto.
‘Ianque’. Mais uma palavra para incorporar o vocabulário dos esquedalhas. E, pais um pais para Lula viajar com seu chapeuzinho panamá.