Ditador da Belarus liberta Nobel da Paz e líder da oposição
Ales Bialiatski estava preso desde julho de 2021 e se tornou símbolo da repressão no país
O ditador da Belarus, Alexander Lukashenko, determinou neste sábado, 13, a libertação de 123 prisioneiros políticos após dois dias de negociações com um enviado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre os libertados estão o ativista de direitos humanos Ales Bialiatski, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2022, e a líder oposicionista Maria Kolesnikova.
Segundo comunicado da Casa Branca, a medida representa a maior libertação ordenada por Lukashenko desde o início das conversas com o governo Trump neste ano.
Governos ocidentais haviam evitado negociações diretas com o líder belarusso por causa da repressão à oposição e do apoio do país à guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Imagens divulgadas por meios de comunicação da Belarus que operam no exílio mostram Kolesnikova próxima a uma área de fronteira, abraçando outros opositores libertados.
De acordo com sua equipe e autoridades ucranianas, entre eles estão Viktor Babariko e Maksim Znak. Já Bialiatski era esperado em Vilnius, capital da Lituânia, segundo autoridades locais.
Quem foi libertado
Uma porta-voz da Embaixada dos Estados Unidos na Belarus, que atualmente funciona em Vilnius, afirmou que os 123 libertados incluem pessoas presas por ativismo político e cidadãos da Austrália, Reino Unido, Lituânia, Polônia e Estados Unidos.
Autoridades ucranianas informaram que cinco ucranianos e 104 bielorrussos chegaram ao território da Ucrânia neste sábado.
Bialiatski estava preso desde julho de 2021 e se tornou um símbolo da repressão no país após décadas de atuação em defesa de presos políticos.
Kolesnikova, de 39 anos, havia sido condenada em setembro de 2021 a 11 anos de prisão. Ela integrou o grupo de mulheres que liderou a oposição a Lukashenko na eleição presidencial de 2020.
Autoridades americanas afirmaram que o diálogo com Lukashenko busca reduzir, ainda que parcialmente, a influência do ditador russo, Vladimir Putin, sobre Minsk.
Em troca da libertação, Washington concordou em suspender sanções ao potássio belarusso, mineral do qual o país é um dos maiores produtores globais e que é essencial para a indústria de fertilizantes.
A União Europeia, no entanto, mantém suas restrições, impostas após a repressão violenta aos protestos de 2020 e reforçadas depois que a Belarus serviu de base para a invasão russa da Ucrânia em 2022.
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