Sonda Parker da NASA flagra 'Retorno em U' do vento solar

20.04.2026

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Sonda Parker da NASA flagra ‘Retorno em U’ do vento solar

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5 minutos de leitura 13.12.2025 15:05 comentários
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Sonda Parker da NASA flagra ‘Retorno em U’ do vento solar

Em dezembro de 2024, a sonda Parker Solar Probe chegou a poucos milhões de quilômetros da superfície solar e registrou imagens inéditas da região onde nascem grandes erupções magnéticas. Essas observações ajudaram a entender como parte dos campos magnéticos responsáveis pelo clima espacial se desprende do Sol e viaja pelo Sistema Solar, enquanto outra parte...

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Sonda Parker da NASA flagra ‘Retorno em U’ do vento solar
Sonda Parker da NASA flagra 'Retorno em U' do vento solar. Créditos: depositphotos.com / PeppyGraphics

Em dezembro de 2024, a sonda Parker Solar Probe chegou a poucos milhões de quilômetros da superfície solar e registrou imagens inéditas da região onde nascem grandes erupções magnéticas.

Essas observações ajudaram a entender como parte dos campos magnéticos responsáveis pelo clima espacial se desprende do Sol e viaja pelo Sistema Solar, enquanto outra parte retorna à superfície, num ciclo de reciclagem magnética diretamente ligado a riscos para satélites, redes elétricas e missões tripuladas.

O que são ejeções de massa coronal e como influenciam o clima espacial

A ejeção de massa coronal (CME, na sigla em inglês) é uma grande nuvem de plasma e campo magnético expelida da coroa solar, a camada externa da atmosfera do Sol.

Essas explosões surgem quando linhas de campo magnético se torcem, acumulam energia e se reorganizam por reconexão magnética, lançando material carregado em alta velocidade.

Quando uma CME está direcionada à Terra, o impacto com a magnetosfera pode gerar tempestades geomagnéticas capazes de degradar sinais de GPS, causar ruídos em comunicações via rádio e danificar componentes de satélites.

Em ambientes com menos proteção, como órbitas lunar e marciana, o aumento de partículas energéticas representa risco adicional para astronautas e sistemas críticos.

Como a sonda Parker Solar Probe observa o Sol de perto

A Parker Solar Probe foi projetada para chegar mais perto do Sol do que qualquer missão anterior, suportando temperaturas extremas com um escudo térmico especial.

Em 24 de dezembro de 2024, a espaçonave passou a cerca de 6,1 milhões de quilômetros da superfície solar, atravessando regiões da coroa onde se formam as erupções ligadas ao clima espacial.

Nessa passagem, o instrumento de imagem WISPR registrou uma grande CME deixando o Sol e, logo depois, estruturas alongadas de plasma caindo de volta à estrela, os chamados “inflows”.

Essas estruturas já tinham sido observadas de longe, mas agora foram medidas em alta resolução, permitindo estimar com precisão seu tamanho, velocidade e papel no ciclo de reciclagem magnética.

Leia também: Traje espacial EVA da Space X causa encantamento entre os astronautas

Como funciona o retorno do campo magnético ao Sol

As novas imagens mostram que nem todo campo magnético liberado por uma CME se desprende totalmente do Sol.

À medida que a ejeção se expande, parte das linhas de campo se rompe e se reconecta, formando laços magnéticos distintos: alguns seguem para o espaço, outros se curvam e retornam à superfície, arrastando blocos de plasma.

Esse retorno reorganiza o ambiente magnético na região de origem e pode alterar levemente a direção de futuras CMEs, desviando-as alguns graus.

Para ilustrar os principais processos em ação nessa reciclagem, é útil resumir os efeitos magnéticos e de transporte de material observados:

  • Reciclagem magnética: parte do campo se solta e parte retorna ao Sol.
  • Transporte de plasma: o material solar acompanha as linhas de campo reconectadas.
  • Redesenho da coroa: a topologia magnética muda e influencia erupções seguintes.

Como essas descobertas melhoram a previsão do clima espacial

Os dados detalhados sobre inflows oferecem uma nova peça para os modelos numéricos de previsão do clima espacial.

Ao medir tamanhos, velocidades e frequências dessas estruturas, cientistas ajustam simulações que descrevem a evolução do campo magnético na coroa solar após grandes ejeções.

Com modelos mais precisos, torna-se possível estimar melhor se uma região ativa tende a disparar outra CME na mesma direção ou desviada, ajudando a planejar janelas de lançamento, manobras de satélites e atividades extraveiculares em missões à Lua e Marte.

Isso também contribui para planejar protocolos de proteção de redes elétricas e infraestruturas sensíveis na Terra.

Quais são as perspectivas para o estudo do clima espacial

À medida que a Parker Solar Probe fizer novas aproximações, devem surgir cenas ainda mais detalhadas do clima espacial em diferentes fases do ciclo solar.

Combinadas a observatórios em órbita da Terra e a outras sondas, essas medições ajudarão a montar um mapa global das interações entre o Sol e os ambientes planetários.

Esse conjunto de dados refinará previsões de tempestades solares e esclarecerá como o Sol redistribui sua energia interna e externa ao longo dos anos.

Em um cenário de exploração espacial em expansão, compreender e antecipar o comportamento das ejeções de massa coronal torna-se essencial para proteger tecnologias, estruturas em órbita e futuras tripulações em trânsito entre mundos.

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