Depois de mais de um século no varejo, gigante entra em recuperação com 687 lojas e 68 mil funcionários, porque anos de vendas em queda e passivos bilionários reduziram uma antiga potência comercial a uma fração do tamanho original
A gestora ESL Investments controlava a empresa e também atuou como credora durante a venda de ativos

O que você vai ver
- Qual gigante do varejo pediu recuperação judicial ainda operando centenas de lojas.
- Como os ativos da empresa despencaram nos meses antes do pedido.
- De que era composta a dívida bilionária por trás do colapso.
- Por que um único investidor controlava a empresa antes da falência.
- Por que essa recuperação judicial simboliza a queda de uma antiga potência do varejo.
Depois de mais de um século no varejo, um gigante do setor entrou em recuperação judicial ainda operando 687 lojas e empregando cerca de 68 mil funcionários, desfecho que reduziu uma antiga potência comercial a uma fração do tamanho que já havia alcançado décadas antes, depois de anos de vendas em queda e passivos bilionários acumulados.
Qual gigante do varejo pediu recuperação judicial ainda operando centenas de lojas?
A empresa em questão é a Sears Holdings, conglomerado que reunia as bandeiras Sears e Kmart, e que pediu proteção via Chapter 11 em outubro de 2018 operando ainda 687 lojas distribuídas por 49 estados americanos, além de território em Guam, Porto Rico e nas Ilhas Virgens Americanas.
Mesmo diante do pedido formal de recuperação judicial, a companhia empregava na época cerca de 68 mil trabalhadores, divididos entre aproximadamente 32 mil funcionários em tempo integral e 36 mil em tempo parcial, volume expressivo de empregos diretos que dependiam da continuidade operacional da rede.
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— DKelly 🇺🇸🦅🇺🇸 (@1Nicdar) March 7, 2026
The company that k*lled Kmart was not Walmart.
1962: Kmart opens its first discount store in Garden City, Michigan.
One simple idea.
Sell everything a family needs under one roof at prices no one else can match.
The formula works from day one.
By 1966,… pic.twitter.com/xK4fynIDq6
Como os ativos da empresa despencaram nos meses antes do pedido?
No ano fiscal de 2017, a Sears Holdings havia registrado receita de aproximadamente R$ 63,5 bilhões, com ativos avaliados em cerca de R$ 35,7 bilhões contra R$ 51,3 bilhões em passivos, desequilíbrio já expressivo que se agravaria rapidamente nos meses seguintes.
Nove meses antes do pedido formal de recuperação judicial, o valor dos ativos da companhia já havia despencado para cerca de R$ 25,5 bilhões, enquanto os passivos subiram para aproximadamente R$ 45,6 bilhões, deterioração acelerada que evidenciava a proximidade do colapso financeiro final da empresa.
De que era composta a dívida bilionária por trás do colapso?
A dívida total financiada da Sears Holdings somava aproximadamente R$ 19,4 bilhões na data do pedido de recuperação judicial, estrutura complexa que incluía cerca de R$ 6,3 bilhões em obrigações de primeiro grau e aproximadamente R$ 4,4 bilhões em dívida de segundo grau.
Além dessas camadas principais, a companhia carregava ainda cerca de R$ 4 bilhões em outros empréstimos garantidos e aproximadamente R$ 3,5 bilhões em dívida não garantida, estrutura financeira estratificada que tornava qualquer tentativa de reestruturação consideravelmente mais complexa diante de tantos credores com prioridades distintas sobre os ativos remanescentes da empresa.
Por que um único investidor controlava a empresa antes da falência?
A gestora de investimentos ESL Investments controlava a Sears Holdings antes do pedido de recuperação judicial, concentração acionária que colocou a mesma gestora na posição peculiar de credora relevante da própria companhia que controlava, situação que complicou ainda mais o processo de reestruturação.
Essa mesma gestora apresentou posteriormente uma oferta baseada em crédito durante o processo de venda de ativos da Sears, movimento que gerou controvérsia considerável justamente por envolver o mesmo grupo que já exercia controle acionário sobre a empresa antes de sua entrada em recuperação judicial.

Por que essa recuperação judicial simboliza a queda de uma antiga potência do varejo?
A Sears já foi, por décadas, uma das maiores e mais influentes varejistas dos Estados Unidos, posição de destaque que tornava sua entrada em recuperação judicial um símbolo direto de como até mesmo as maiores potências comerciais podem perder relevância diante de mudanças estruturais no comportamento de consumo.
Essa trajetória de ascensão e posterior declínio acentuado reforça um padrão observado em outras grandes redes centenárias do varejo americano, casos em que décadas de liderança de mercado não impediram um colapso financeiro acelerado assim que a empresa deixou de se adaptar às novas dinâmicas de consumo e concorrência do setor.
- A Sears Holdings pediu recuperação judicial em 2018 ainda operando 687 lojas e 68 mil funcionários.
- Os ativos da empresa despencaram de R$ 35,7 bi para R$ 25,5 bi nos nove meses antes do pedido.
- A dívida total financiada somava cerca de R$ 19,4 bilhões, distribuída entre credores de diferentes prioridades.
- A gestora ESL Investments controlava a empresa e também atuou como credora durante o processo de venda.
Outras empresas que também perderam liquidez rapidamente apesar de décadas de história consolidada aparecem no relato sobre a rede com 355 anos de história que fechou 96 lojas e demitiu mais de 8.300 funcionários.
Mais detalhes sobre a recuperação judicial da Sears Holdings estão disponíveis no site oficial da SEC.
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