Depois de 195 anos, loja de departamentos mais antiga do país fecha 38 unidades e se despede das ruas
Uma tentativa de preservar metade das unidades fracassou, e a liquidação separou o fim das lojas físicas da sobrevivência da marca.
A loja de departamentos era a Lord & Taylor, rede criada em Nova York em 1826 e reconhecida como a mais antiga do setor nos Estados Unidos. Após tentar preservar parte das 38 unidades, a empresa liquidou todo o varejo físico e fechou as últimas portas em fevereiro de 2021.
Qual loja de departamentos encerrou uma história de 195 anos?
A Lord & Taylor começou como uma pequena loja de tecidos e artigos diversos aberta por Samuel Lord em Manhattan. George Washington Taylor entrou posteriormente no negócio, que cresceu e se tornou referência nacional em moda, atendimento e vitrines de Natal.
Esse formato de loja organizada por departamentos reuniu roupas, acessórios, cosméticos e outros produtos no mesmo endereço. No auge, a Lord & Taylor passou de 80 unidades, mas chegou a 2020 com apenas 38 lojas físicas.

Por que a proteção judicial não salvou a rede?
A Lord & Taylor e sua controladora, Le Tote, pediram proteção do Chapter 11 em 2 de agosto de 2020. A medida poderia permitir uma reorganização ou venda, desde que aparecessem financiamento e comprador capazes de sustentar a operação.
O pedido ocorreu poucos meses depois de a pandemia fechar temporariamente as lojas e reduzir a demanda por roupas formais. A rede também enfrentava dificuldades anteriores, como perda de relevância, troca de proprietários e o fechamento da histórica unidade da Quinta Avenida em 2019.
Como o plano de manter metade das lojas fracassou?
Inicialmente, a companhia colocou 19 das 38 unidades em liquidação e procurou preservar a outra metade. Cinco lojas adicionais foram incluídas pouco depois, deixando somente 14 pontos como possível base para um comprador.
Sem uma proposta que garantisse caixa e continuidade, a empresa mudou a estratégia em 27 de agosto. Todas as unidades restantes receberam vendas de encerramento, processo que consumiu os estoques ao longo dos seis meses seguintes.
A sequência mostra como a tentativa de recuperação encolheu:
Qual era o tamanho das obrigações financeiras?
Os documentos apresentados ao tribunal indicavam aproximadamente US$ 137,9 milhões em obrigações. Pela cotação de 3 de agosto de 2020, o valor correspondia a cerca de R$ 733 milhões, conversão histórica calculada apenas como referência.
A recuperação exigia dinheiro para comprar mercadorias, manter funcionários, pagar custos administrativos e sustentar lojas durante uma demanda incerta. Sem essa estrutura, conservar metade dos endereços poderia gerar uma operação pequena demais para cobrir as despesas centrais.
O que aconteceu com as lojas e a marca?
A liquidação alcançou os pontos físicos, os contratos de ocupação e o estoque disponível. As últimas unidades encerraram o atendimento em 27 de fevereiro de 2021, quando 19 lojas que haviam atravessado toda a campanha baixaram as portas.
Já a propriedade intelectual e os ativos digitais foram vendidos ao Saadia Group por US$ 12 milhões, cerca de R$ 65 milhões na cotação do fechamento. A transação não incluiu a manutenção da antiga rede física.
Os principais destinos ficaram assim separados:
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A Lord & Taylor desapareceu completamente?
Não. A antiga cadeia de lojas acabou, mas o nome passou por novos controladores e voltou ao comércio eletrônico. Em 2024, a Regal Brands Global adquiriu os direitos depois dos problemas financeiros enfrentados pelo Saadia Group.
Em 2026, a operação digital da Lord & Taylor continua vendendo roupas, acessórios e itens para casa. Portanto, a despedida foi definitiva para a rede física fundada em 1826, não para a marca comercial reaproveitada na internet.
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