Dennys Xavier na Crusoé: María Corina e a ilusão da cruzada americana
O que realmente move uma potência quando ela decide intervir, pressionar, negociar ou reorganizar o destino político de outra nação?
Durante anos, María Corina Machado foi apresentada como o rosto da resistência democrática venezuelana.
Recebeu apoio político, foi recebida por autoridades americanas, transformou-se numa referência internacional da oposição ao chavismo e chegou a ser tratada como a principal esperança de uma futura reconstrução institucional da Venezuela.
Depois dos terremotos que devastaram o país nas últimas semanas, decidiu voltar. Queria atravessar a fronteira, participar dos esforços de ajuda e estar ao lado dos venezuelanos justamente no momento em que o Estado mostrava toda a sua incapacidade diante da tragédia.
Foi então que surgiu um obstáculo inesperado.
Não foi algum “Nicolás Maduro” quem a impediu primeiro.
Foi o próprio governo americano.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a administração Trump trabalhou para impedir sua volta, pressionou aliados, desautorizou iniciativas que poderiam facilitar a viagem e classificou sua tentativa de retorno como um gesto de “oportunismo político” que atrapalharia os esforços de estabilização do país.
O argumento apresentado era que aquele não seria o momento para disputas políticas, mas para concentrar esforços na reconstrução da Venezuela.
Confesso que não recebi essa notícia com surpresa. Ela apenas confirmou algo que venho repetindo há bastante tempo, muitas vezes contrariando amigos e leitores que acreditavam existir uma cruzada moral americana em defesa da liberdade venezuelana.
Nunca me pareceu que esse fosse o centro da questão.
A tragédia venezuelana sempre despertou indignação legítima. O regime chavista destruiu instituições, perseguiu opositores, produziu miséria, expulsou milhões de pessoas de seu próprio país.
Nada disso está em discussão. A dúvida sempre esteve em outro lugar: o que realmente move uma potência quando ela decide intervir, pressionar, negociar ou reorganizar o destino político de outra nação?
Os fatos…
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