De roupas a eletrodomésticos, gigante do comércio chegou a ter 180 lojas e 28 mil funcionários antes de terminar em falência
O tamanho da operação contrastou com a dificuldade de sustentar estoques, financiamentos e lojas em um mercado que mudava rapidamente.
Roupas, utensílios, eletrodomésticos e até automóveis dividiam espaço nas lojas de uma grande rede varejista. A Mesbla chegou a reunir 180 pontos de venda e cerca de 28 mil funcionários no auge. Depois de uma longa crise financeira e de tentativas de reorganização, a companhia faliu em 1999.
Como a Mesbla se tornou uma grande rede de departamentos?
A história começou em 1912, quando a francesa Mestre & Blatgé instalou uma filial no Rio de Janeiro voltada inicialmente a máquinas e equipamentos. A operação brasileira ganhou autonomia em 1924 e adotou o nome Mesbla em 1939.
A rede ampliou seus departamentos, passou a comercializar produtos para a casa, vestuário e eletrodomésticos e se espalhou pelo país. O histórico da Mesbla mostra como a antiga filial evoluiu para uma referência nacional do comércio.

Qual era a dimensão da empresa em seu auge?
Nas décadas de 1970 e 1980, a Mesbla se destacou pelas lojas de grande porte e pela diversidade de mercadorias. Em seu período mais forte, chegou a ter aproximadamente 180 pontos de venda e um quadro de 28 mil trabalhadores.
Esses números descrevem a fase de expansão, não a situação do grupo quando a falência ocorreu. Ao longo dos anos 1990, o fechamento de unidades e as reduções de pessoal já haviam diminuído bastante a estrutura da companhia.
Os principais marcos ajudam a comparar o crescimento e o desfecho:
Por que o modelo de negócios começou a perder força?
A hiperinflação, mudanças no comportamento de consumo e o avanço de redes especializadas pressionaram as grandes lojas de departamentos. No caso da Mesbla, estoques elevados e estruturas administrativas complexas tornaram mais difícil reagir às mudanças de preços e de concorrência.
A abertura de shopping centers e a presença de concorrentes com novas estratégias comerciais ampliaram o desafio. Não houve uma causa isolada para a queda: o problema combinava decisões internas, falta de recursos e transformações no mercado varejista.
Quatro pressões ajudam a explicar a deterioração do negócio:
O que mudou durante a reestruturação dos anos 1990?
A Mesbla recorreu à concordata em 1995, mecanismo da legislação da época para negociar obrigações com credores. Durante esse período, reduziu despesas, fechou estabelecimentos e reformulou sua administração. O processo foi encerrado judicialmente no fim de 1997.
Naquele mesmo ano, o grupo ligado ao empresário Ricardo Mansur, que controlava o Mappin, assumiu a Mesbla. A mudança de controle representou outra tentativa de reorganizar o negócio, mas não resolveu a necessidade de capital para manter o abastecimento das lojas.
Como a crise terminou na falência de 1999?
Em 1999, a dificuldade para financiar estoques e honrar compromissos comprometeu a operação. Com fornecedores e credores preocupados, a rede não conseguiu recuperar o fluxo de mercadorias nem manter a estrutura que havia construído em décadas anteriores.
A falência marcou o encerramento do grupo varejista naquele formato. As 180 unidades e os 28 mil empregos pertenciam ao auge histórico: não representam lojas fechadas simultaneamente ou postos perdidos todos no ano da sentença.
A marca Mesbla desapareceu com o fechamento das lojas?
O fim da rede física não impediu que o nome comercial fosse lembrado ou utilizado posteriormente em outro projeto. Em 2022, uma iniciativa licenciada anunciou o retorno da marca ao comércio eletrônico, sem reabrir a antiga cadeia de departamentos.
A retomada digital da marca não desfez a falência de 1999. A Mesbla original deixou como legado a escala de suas antigas lojas e um exemplo dos desafios enfrentados pelo varejo diante de mudanças econômicas e financeiras.
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