“Cuba está disposta a dialogar com os EUA”, diz ditador
Vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío estabelece limites para eventual diálogo, enquanto enfrenta crise após corte de petróleo venezuelano
Em pronunciamento nesta quinta-feira, 5, o ditador cubano Miguel Díaz-Canel admitiu que o governo está aberto a conversas com os Estados Unidos, desde que não haja imposição de demandas prévias por parte de Washington.
“Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos, um diálogo sobre qualquer tema que precise ser discutido”, afirmou o mandatário. Ele ressaltou que as tratativas devem ocorrer “sem pressão” ou “pré-condições”.
A declaração representa um aceno a Donald Trump, que intensificou medidas contra a ilha após derrubar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, no dia 3 de janeiro. O ataque americano interrompeu o fornecimento de petróleo venezuelano a Havana, e transferiu para Washington o controle do setor petroleiro venezuelano.
Ninguém mexe no meu comunismo
O vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossío, definiu os termos para um eventual diálogo. Em entrevista à CNN na segunda-feira, 2, ele negou que negociações oficiais estejam em curso, contrariando afirmação de Trump. “Não existe um diálogo especificamente neste momento, mas sim houve troca de mensagens”, disse.
O diplomata estabeleceu que o sistema político cubano está fora da mesa de negociações: “Não estamos prontos para discutir nosso sistema constitucional, assim como supomos que os EUA não estejam prontos para discutir o seu, seu sistema político e sua realidade econômica”, afirmou.
Díaz-Canel esperava que as tratativas partam “de uma posição de igualdade, com respeito à nossa soberania, nossa independência, nossa autodeterminação” e sem “interferência em nossos assuntos internos”.
Ilha à beira do colapso energético
A pressão econômica sobre Cuba aumentou com um decreto assinado por Trump nesta quinta. O documento prevê tarifas adicionais para países que comercializem petróleo com a ilha, sob alegação de proteger a segurança nacional americana.
Díaz-Canel chamou Washington de “governo imperial” e disse que as medidas provocaram “desabastecimento agudo de combustível” no país. A rede elétrica cubana, já debilitada por infraestrutura antiga, sofre apagões frequentes. Santiago, segunda maior cidade, registrou corte de energia.
A situação se agrava com o inverno rigoroso. Havana registrou temperatura histórica de 0°C, aumentando a demanda por energia em um momento de escassez de combustível para as termelétricas.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou para o risco de “colapso humanitário” se Cuba não conseguir importar petróleo.
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