Crusoé: Regime cubano sobreviverá sem Nicolás Maduro?
Yaxis Cires, do Observatório Cubano de Direitos Humanos, alerta que pobreza extrema pode piorar na ilha após prisão do ditador chavista
A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro no último sábado, 3, provocou uma reação imediata do ditador cubano Miguel Díaz-Canel.
“Cuba condena e denuncia essas ações como um ato de terrorismo de Estado. Um ataque criminoso contra a nossa América, uma zona de paz, uma violação da soberania de uma nação que é símbolo de independência, dignidade e solidariedade, e um ataque inaceitável ao direito internacional”, afirmou.
No domingo, 4, nas redes sociais, Díaz-Canel também admitiu que cubanos faziam a proteção pessoal do ditador chavista.
Ao todo, 21 agentes secretos e 11 militares morreram durante a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no Palácio de Miraflores.
“Honra e glória aos bravos combatentes cubanos que tombaram enfrentando terroristas vestindo uniforme imperial, que sequestraram e removeram ilegalmente de seu país o presidente da Venezuela e sua esposa, cujas vidas eles estavam ajudando a proteger as nossas a pedido daquela nação irmã“, escreveu Díaz-Canel no X.
As declarações reforçam que Cuba exerce influência direta sobre o alto escalão regime chavista.
Próximo alvo dos EUA?
Para Yaxis Cires, chefe de estratégias do Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH), é “impensável que os Estados Unidos permitam a continuidade da influência cubana na Venezuela, que também serviu de trampolim para sua interferência em outros países da região”.
“Havana sempre negou a presença de militares e agentes de contraespionagem, mas os fatos e os relatórios de ONGs de direitos humanos indicam o contrário.”
Segundo Cires, chegou o momento em que as famílias dos cubanos falecidos deveriam se perguntar se tudo valeu a pena, vendo Maduro tão calmo e sorridente nos Estados Unidos e diante das supostas traições dentro do próprio regime.
Crise econômica
A situação econômica para a ilha de Cuba pode piorar ainda mais sem Maduro.
A Venezuela é responsável por abastecer a ditadura cubana com petróleo.
Sob olhar dos Estados Unidos, é improvável que os remanescentes do regime chavista continuem abastecendo a ilha.
“As perspectivas econômicas para Havana podem piorar ainda mais após a queda de Maduro. A pobreza extrema afeta 89% das famílias cubanas, segundo nossos estudos. Estamos diante de um regime economicamente falido que só pratica a repressão. Sem o apoio da Venezuela, tudo isso se deteriorará ainda mais”, afirma Yaxys.
Marco Rubio
As raízes cubanas do secretário de Estado americano, Marco Rubio, podem se tornar decisivas na pressão pela libertação do regime de Díaz-Canel.
Segundo Cires, Rubio possui uma visão “renovada e com compromisso ainda maior com a promoção” das liberdades.
“Com a atual administração dos EUA e Marco Rubio como secretário de Estado, os Estados Unidos estão retornando à América Latina com uma visão renovada e um compromisso ainda maior com a promoção das liberdades. O trabalho de Marco Rubio tem sido muito sólido, e suas raízes cubanas reforçam seu compromisso com a libertação da Venezuela, de Cuba e da Nicarágua”, diz.
Rubio é filho de imigrantes cubanos que deixaram a ilha após a Revolução de 1959.
Como senador, foi um dos principais críticos da reaproximação promovida pelo ex-presidente Barack Obama e enfrentou as flexbilizações defendidas por democratas.
Apesar disso…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)