Crusoé: Pêndulo para a direita
Nova maré de governos latino-americanos é impulsionada pela preocupação com segurança e amizade com Trump
A política da América Latina é como um antigo relógio de pêndulo, que ora oscila para a esquerda, ora para a direita.
Há cinco anos, a pandemia de Covid ajudou a derrubar diversos governos de direita, que cederam espaço a vários presidentes de esquerda.
Luis Arce Catacora ganhou na Bolívia no final de 2020. No ano seguinte, Pedro Castillo venceu no Peru, Xiomara Castro em Honduras e Gabriel Boric no Chile.
O México era governado por Andrés Manuel López Obrador e a Argentina, por Alberto Fernández e Cristina Kirchner.
Em 2022, Lula venceu no Brasil e Gustavo Petro, na Colômbia.
O pêndulo começou a voltar para a direita em 2023, com a eleição de Santiago Peña no Paraguai e de Javier Milei, na Argentina.
Desde então, vários governantes de direita foram eleitos na região, como Daniel Noboa (Equador, 2023), José Raúl Mulino (Panamá, 2024).
O venezuelano Edmundo González foi vitorioso nas eleições da Venezuela em julho do ano passado, mas o ditador Nicolás Maduro se recusa a entregar o poder.
Na Bolívia, o centrista Rodrigo Paz substituiu um ex-aliado de Evo Morales, em outubro deste ano.
Em Honduras, uma complicada apuração tem dado vantagem ao candidato a Nasry Asfura, que é do Partido Nacional. A candidata de esquerda só aparece em terceiro.
No Chile, José Antonio Kast, de direita, ficou cerca de vinte pontos percentuais à frente da candidata comunista no segundo turno das eleições, no domingo, 14.
No ano que vem, candidatos de direita aparecem com boas chances para as eleições na Colômbia e no Brasil.
Insegurança e corrupção
A onda atual de direita não é uma mera soma de coincidências, mas o resultado da atuação de fatores regionais.
Populações de vários países estão preocupadas com a insegurança. Nesse tópicom o discurso de lei e ordem típico da direita ganha mais apelo.
No Chile, Kast propôs um “plano implacável” contra a criminalidade.
“Por anos, os governos, de todos os setores, olharam para o outro lado. Eles se negaram a reconhecer a magnitude do problema. Escolheram desculpas em vez de soluções. A esquerda relativizou o delito. Criminalizaram a ação policial…
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