Crusoé: Paz incerta em Gaza
Plano de Trump tem apoio da sociedade israelense, mas enfrenta obstáculos políticos e dúvidas sobre efetividade prática
Com o aval do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, o presidente americano, Donald Trump, apresentou um plano de paz para a Faixa de Gaza.
A proposta contém vinte tópicos centrais que podem representar o fim da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, além de sugerir diretrizes futuras para a reconstrução política e territorial da região.
Apesar do ineditismo e da aprovação por parte da sociedade israelense, o plano levanta dúvidas quanto à viabilidade prática e pode enfrentar obstáculos diplomáticos e políticos.
Autoridade Palestina
Um dos pontos mais polêmicos trata da possível volta da Autoridade Palestina (AP) ao comando da Faixa de Gaza.
A AP foi expulsa da região pelo Hamas em 2007, após violentos confrontos com forças leais ao Fatah, liderado por Mahmoud Abbas.
Desde então, a Faixa de Gaza está sob domínio do grupo terrorista.
Para Igor Sabino, gerente de conteúdo da StandWithUS Brasil, o governo israelense desconfia da idoneidade do grupo político para retornar à região.
“O principal motivo pelo qual Israel tem essa resistência com relação à Autoridade Palestina voltando a governar a Faixa de Gaza é o fato de que ela é muito corrupta e está bastante enfraquecida. Então, [se] você tira o Hamas e coloca ela em Gaza, o risco de o Hamas voltar ao poder é muito grande. Foi assim que eles chegaram ao poder: dando um golpe contra a Autoridade Palestina há alguns anos“, analisa.
Além disso, há denúncias de que a Autoridade Palestina teria financiado familiares de terroristas palestinos, agravando ainda mais o clima de desconfiança.
Mesmo assim, Trump aposta na reintegração da AP, acreditando que os países árabes consigam impedir o retorno futuro do Hamas.
Conselho de Paz
O plano prevê a criação de um Conselho de Paz Internacional, que seria liderado por Trump, e contaria com a participação de ex-chefes de governo, como Tony Blair.
Blair é do Partido Trabalhista, de esquerda, com boa interlocução com opositores de Netanyahu.
A proximidade facilitaria o diálogo com países árabes.
O comitê também contaria com a participação de representantes palestinos e especialistas internacionais.
“Esse órgão estabelecerá a estrutura e administrará o financiamento para a reconstrução de Gaza até que a Autoridade Palestina conclua seu programa de reformas”, diz o item 9 da proposta.
Libertação de reféns
Israel ainda acredita que o Hamas ainda mantém 48 reféns sequestrados desde os ataque de 7 de outubro de 2023.
A estimativa é que apenas 20 deles estejam vivos.
A proposta prevê a libertação imediata de todos os reféns, vivos ou mortos, em até 72 horas, em troca da soltura de 250 prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua e 1.700 detidos após o ataque.
“Para as famílias, o ponto mais sensível é a cláusula que promete a libertação imediata de todos os reféns – vivos ou mortos – em até 72 horas. Isso gera esperança, pois cada dia de incerteza é um tormento psicológico. Mas também causa angústia. Elas viram vários planos de mediação fracassarem porque o Hamas usa os refugiados como moeda de troca e não cumpre o que promete. Então, até que vejam seus entes queridos de volta em casa, a reação será de extrema cautela“, diz Rafael Azamor, representante do Fórum das Famílias dos Sequestrados e Desaparecidos no Brasil.
Hamas excluído
O plano elimina qualquer participação do Hamas na reconstrução ou na política de Gaza, além de prever a destruição completa de sua infraestrutura militar.
Segundo o analista militar Ricardo Cabral, do site História no Mundo Militar, a exclusão dificulta a aprovação por parte dos terroristas.
“É provável que o Hamas…
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