Crusoé: O que realmente pensa a AfD
Conheça o partido de direita alemão vigiado como “extremista” pelo serviço de inteligência
A Alemanha vive um teste institucional raro. No dia 2, o órgão que cuida da proteção da Constituição passou a tratar a Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha, ou AfD) como grupo “extremista” de direita, decisão que autoriza escutas e infiltrações.
Apesar do alarme, há quem enxergue tratamento desigual.
Em 2008, Christel Wegner, deputada comunista pelo Die Linke, elogiou o Muro de Berlim e defendeu a recriação de uma polícia política à moda da Stasi – nem ela e nem seu partido foram alvo do mesmo rigor.
Mais tarde, Sahra Wagenknecht ignorou homenagem a Shimon Peres, atacou sanções contra Moscou e chamou Gaza de “prisão a céu aberto”. Nenhum inquérito.
Colegas do Die Linke visitaram Donetsk e Lugansk, fizeram campanha pela dissolução da Otan e continuam livres de monitoramento. A discrepância alimenta a tese dos diferentea pesos e medidas.
Coalizão
O anúncio do monitoramento da AfD partiu no primeiro mês do governo de coalizão entre democrata‑cristãos e social‑democratas, formado para enfrentar inflação alta, insegurança e queda de confiança na União Europeia. A AfD recorreu à Justiça, alegando perseguição política e violação da liberdade partidária.
Fora da Alemanha, a AfD recebeu manifestações explícitas de apoio. Em 20 de dezembro de 2024, Elon Musk publicou na rede X a frase “Só a AfD pode salvar a Alemanha”, apoio reiterado em vários posts nas semanas seguintes.
Em janeiro, o bilionário voltou ao tema durante uma conversa transmitida ao vivo com a candidata Alice Weidel (foto), lider do partido, elogiando a defesa de fronteiras rígidas e o retorno da energia nuclear.
Viktor Orbán
O respaldo também veio de Budapeste. Em fevereiro, o primeiro‑ministro húngaro Viktor Orbán recebeu Weidel na sede do governo e descreveu a convidada como “o futuro da Alemanha”, chamando a Hungria de “guarda de fronteira” do país vizinho e saudando a convergência entre as posições dos dois partidos em imigração, energia e política familiar.
Nos Estados Unidos, a decisão dos serviços de segurança alemães de rotular a AfD como extremista foi questionada por representantes do primeiro escalão do governo Trump.
O secretário de estado Marco Rubio escreveu que a medida revelava “tirania disfarçada” e deveria ser revista; no dia seguinte, o vice‑presidente JD Vance acusou a burocracia alemã de “tentar destruir a oposição” e comparou o monitoramento do partido à volta de um “muro de Berlim político”.
Criação
O partido nasceu em 2013 com economistas que denunciavam a economia da zona do euro.
No primeiro manifesto,…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)