Crusoé: O labirinto de Trump no Irã
Guerra sem motivo claro não derrubou o regime em Teerã e pode prejudicar o Partido Republicano nas eleições legislativas
Ao decidir bombardear o Irã e eliminar o líder supremo Ali Khamenei, o presidente americano Donald Trump iniciou uma guerra por opção, que não tinha motivação clara e sem objetivos bem definidos (leia artigo de Maristela Basso nesta edição de Crusoé).
Duas semanas depois, não há nada que Trump possa mostrar para a população americana para justificar o conflito que ele iniciou, gerando custos e perdas de vidas.
A teocracia xiita não caiu e nem está prestes a cair.
O filho de Khamenei, Mojtaba, assumiu o lugar antes ocupado por seu pai.
Para piorar a situação, o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, foi paralisado pelo conflito, o que elevou o preço do barril e ameaça gerar inflação nos Estados Unidos e em outros países.
A situação é tal que não existe uma saída honrosa para Trump do labirinto em que ele mesmo criou.
Se decidir encerrar a guerra e parar de bombardear o Irã, a atitude será interpretada como uma derrota moral, uma vez que o regime segue mandando no país.
Além disso, a possibilidade de o Irã aceitar interromper a produção da bomba nuclear é menor agora do que foi no passado.
E Trump ainda pode ser prejudicado eleitoralmente por sua aventura no Oriente Médio.
Com a guerra e suas consequências se estendendo além do previsto, o Partido Republicano poderá ser prejudicado nas eleições legislativas marcadas para novembro.
“Qual era o objetivo dessa guerra? Quais serão os próximos passos? Até onde o governo americano pode ir? Tudo isso tem colocado Trump em uma posição delicada, sobretudo em ano das eleições de meio de mandato”, diz o cientista político Enrique Natalino, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento.
Uma recente pesquisa do jornal The New York Times mostrou que apenas 41% dos americanos apoiam a operação no Irã.
Como comparação, durante a Guerra do Afeganistão, a aprovação foi de…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)