Crusoé: Lula defende “multilateralismo” com artigo em jornais estrangeiros
Texto foi publicado em nove jornais após entrevistas exclusivas a emissoras de TV aberta brasileiras
Depois de conceder entrevistas exclusivas ao Jornal Nacional, da TV Globo, e à TV Record, o presidente Lula (PT) publicou artigos em nove jornais estrangeiros nesta sexta-feira, 11, para defender o “multilateralismo”, sem mencionar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
O texto também foi reproduzido no X do petista em português e em inglês.
Intitulado “Não há alternativa ao multilateralismo”, o artigo disse que 2025 pode entrar para a história como “o ano em que a ordem internacional construída a partir de 1945 desmoronou”.
“As rachaduras já estavam visíveis. Desde a invasão do Iraque e do Afeganistão, a intervenção na Líbia e a guerra na Ucrânia, alguns membros permanentes do Conselho de Segurança banalizaram o uso ilegal da força”, afirmou o petista, sem culpar o ditador russo Vladimir Putin, cujo governo também integra o Conselho de Segurança da ONU, pela invasão ao território ucraniano.
No texto, Lula acusou mais uma vez Israel de cometer “genocídio” em Gaza e afirmou que “incapacidade de superar diferenças fomenta nova escalada da violência no Oriente Médio, cujo capítulo mais recente inclui o ataque ao Irã”.
Ao falar sobre o ataque de Israel e dos EUA a instalações nucleares e militares de Teerã, Lula omitiu que o Irã é o principal financiador do terrorismo na região e trabalhava no enriquecimento de urânio para desenvolver armamentos nucleares.
‘Tarifaço’
Sobre o ‘tarifaço’ de Trump, Lula disse:
“A lei do mais forte também ameaça o sistema multilateral de comércio. Tarifaços desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação. A Organização Mundial do Comércio foi esvaziada e ninguém se recorda da Rodada de Desenvolvimento de Doha.
O colapso financeiro de 2008 evidenciou o fracasso da globalização neoliberal, mas o mundo permaneceu preso ao receituário da austeridade. A opção de socorrer super-ricos e grandes corporações às custas de cidadãos comuns e pequenos negócios aprofundou desigualdades. Nos últimos 10 anos, os US$ 33,9 trilhões acumulados pelo 1% mais rico do planeta é equivalente a 22 vezes os recursos necessários para erradicar…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
11.07.2025 13:08Velha ladainha populista de sempre. Chato!
Fabio B
11.07.2025 10:09A maior ironia é que, na prática, o Brasil taxa não só os Estados Unidos, mas praticamente todo o mundo com muito mais de 50% sobre os produtos importados. Além do Imposto de Importação, há uma cascata de outros tributos incidentes, como IPI, ICMS, PIS/COFINS que, juntos, podem facilmente ultrapassar 100% em vários casos. O Brasil segue sendo um dos mais fechados do mundo ao comércio exterior, apesar de depender fortemente de importações e nem ter uma base industrial sólida em muitos setores.