Crusoé: Infância apagada
Como a ditadura russa tenta apagar todos os traços de identidade ucraniana nas crianças que vivem em territórios invadidos
A ditadura de Vladimir Putin tem implementado na Ucrânia um projeto sistemático de doutrinação ideológica para apagar todo vestígio de identidade cultural ucraniana.
Os principais alvos dessa ofensiva são as crianças das regiões militarmente ocupadas no leste da Ucrânia, entre elas, Donetsk, Luhansk Zaporizhzhia, Kherson e a península da Crimeia, invadida em 2014.
Segundo a ONG Centro de Educação Cívica ‘Almenda‘, cerca de 1,6 milhão de menores vivem sob o domínio russo.
Desses, apenas 1,5% menores mantêm acesso ao ensino da língua ucraniana.
Como esses dados foram fornecidos pela Rússia, a porcentagem pode ser ainda menor.
A propaganda russa começa cedo nos livros didáticos utilizados em escolas, que têm o objetivo de formar futuras gerações militares fiéis ao Kremlin.
Para impulsionar a doutrinação, a Rússia destinou mais de 700 milhões de dólares para “políticas de juventude”, em 2026.
Mudança curricular
Desde os primeiros dias de ocupação da Crimeia, a Rússia começou a erradicar a identidade ucraniana entre as crianças.
Nas escolas, todos os livros em ucraniano foram retirados. Várias foram destruídas.
Maria Sulialina, diretora da ONG Almenda, afirma que a tentativa é ensinar uma história em que a Ucrânia não existe.
“Eles não estão tentando reescrever a história da Ucrânia. O grande problema é que não há Ucrânia nos livros. Nos materiais escolares, o país não é tratado como independente”, diz Maria.
“Nos manuais escolares, a Ucrânia é citada como um Estado criado artificialmente”, afirma.
Além do currículo tradicional, o governo russo introduziu disciplinas sobre o patriotismo e guerra na grade curricular.
Também começaram a oferecer cursos sobre como identificar aquilo que os russos classificam de “extremismo ucraniano” nas escolas.
Na prática, eles ensinam aos menores sobre como reconhecer um indivíduo pró-Ucrânia, criando um ambiente intimidatório de viligância.
“Os russos não querem que pessoas se identifiquem como ucranianas nos territórios ocupados. Por isso, começam a trabalhar desde com as crianças”, diz Maria.
Militarização
Com objetivo de aumentar o número de soldados reservistas para lutar contra a Ucrânia, o governo russo incentiva movimentos civis “patrióticos” pró-Rússia, para apresentar a doutrina militar aos menores.
Como as crianças…
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