Crusoé: China e Rússia não movem uma palha por Maduro
Xi Jinping e Vladimir Putin apoiam Maduro só no discurso e Venezuela não consegue apoio concreto de seus aliados
A recente escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela despertou mensagens que a um leitor desatento poderia parecer importantes apoios da China e Rússia ao governo de Nicolás Maduro.
Só que, na prática, essas duas potências não estão movendo um dedo sequer para auxiliar o ditador venezuelano.
Enquanto Washington intensifica sua pressão com um bloqueio de navios-petroleiros e uma presença militar reforçada no Caribe, ameaçando uma ação militar, Pequim e Moscou só têm repetido palavras de suporte à soberania venezuelana sem se comprometer com ações que poderiam mudar o curso da crise.
A China, maior compradora do petróleo venezuelano, manifestou oposição ao que chamou de “bullying unilateral” por parte dos Estados Unidos e reafirmou respeito “à dignidade e soberania” de Caracas e só.
Ajuda concreta ou medidas efetivas para aliviar a pressão econômica e diplomática? Nada.
A retórica chinesa, distante de envolver envios de recursos ou garantias de proteção, mostra a cautela de Pequim em equilibrar seus interesses comerciais com a necessidade de manter relações com Washington, seu principal parceiro econômico global.
Nessa comparação, o peso econômico e geopolítico de Maduro é ínfimo e a China é pragmática, se Maduro cair, seguira disposta a fazer negócios com quem o suceder.
Da Rússia, o tom não é muito diferente. Moscou expressou preocupação com as ações americanas e solicitou por uma normalização do diálogo entre Washington e Caracas.
O Ministério das Relações Exteriores russo até pediu que a Casa Branca não permita “um erro fatal e se abstenha de agravar ainda mais a situação, que ameaça todo o hemisfério ocidental com consequências imprevisíveis”.
As declarações, portanto, ficaram no campo diplomático, sem sinais de planos de ajuda material, militar ou financeira.
A conversa entre os ditadores Putin e Maduro, bem como a retórica de solidariedade, servem mais como uma mensagem política do que como um compromisso de assistência real.
Em nada lembra 2008, quando o Kremlin mandou para a Venezuela uma pequena frota de navios importantes para exercícios militares conjuntos.
Agora que a Rússia está mergulhada numa guerra que ela mesma iniciou e que drena suas finanças, a última coisa que ela quer é arranjar confusão com os EUA.
Esse padrão de apoio somente da boca para fora escancara a fragilidade estratégica…
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