Crime organizado comete extorsão nas escolas do Peru
O impacto do crime organizado nas escolas privadas peruanas e o desafio da segurança no sistema educacional.
Nos últimos anos, o crime organizado no Peru expandiu suas atividades de extorsão para o setor educacional privado, afetando milhares de estudantes e suas famílias. O fenômeno, que inicialmente se concentrava em comerciantes e transportadores, agora desafia o governo de Dina Boluarte, que tem recorrido ao exército para tentar conter a onda de violência e intimidação nas ruas de Lima.
De acordo com Giannina Miranda, presidente do Coletivo Educar com Liberdade, cerca de 500 escolas em todo o país foram alvo de extorsão. Dessas, 325 foram forçadas a fechar temporariamente e adotar o ensino virtual. O medo e o silêncio se tornaram comuns nos ambientes escolares, com relatos de professores e pais que preferem permanecer anônimos devido à insegurança.
Como as gangues afetam as escolas?
As gangues têm imposto suas exigências por meio de ameaças diretas e ataques violentos. Um exemplo disso ocorreu na escola San Vicente, no distrito de Comas, ao norte de Lima, que foi atacada com um explosivo em março. Embora o ataque não tenha causado vítimas, os danos materiais obrigaram a instituição a migrar para aulas online. Antes do ataque, a escola havia recebido uma mensagem exigindo 100 mil soles para evitar a violência.
Os criminosos não hesitam em enviar vídeos intimidadores, como o que foi compartilhado com a AFP, mostrando uma placa com ameaças de morte cercada por armas. Essas ações visam extorquir dinheiro das escolas, prometendo não causar danos físicos ou materiais em troca de pagamentos.
Quais são as consequências para a educação?
O impacto dessas atividades criminosas é profundo e afeta diretamente a educação de aproximadamente 2,5 milhões de alunos que frequentam escolas privadas no Peru. As famílias, temendo pela segurança de seus filhos, consideram não enviá-los mais para as aulas presenciais. A situação gera um ambiente de medo e tensão constante, dificultando o aprendizado e o desenvolvimento dos estudantes.
Além disso, a pressão sobre o governo é crescente. A presidente Dina Boluarte declarou estado de emergência em Lima, mobilizando as forças armadas para apoiar a polícia na luta contra a extorsão e os assassinatos por encomenda. No entanto, a impopularidade de seu governo, com 93% de rejeição, segundo pesquisas, complica a implementação de medidas eficazes.
O que pode ser feito para combater a extorsão?
Para enfrentar o problema da extorsão nas escolas, é necessário um esforço conjunto entre governo, sociedade civil e comunidade escolar. Medidas de segurança mais rigorosas, como a presença de forças de segurança nas proximidades das escolas, podem ajudar a dissuadir ações criminosas. Além disso, é crucial que as autoridades trabalhem para desmantelar as redes de crime organizado que operam no país.
Paralelamente, é importante promover programas de apoio psicológico para estudantes, professores e famílias afetadas, ajudando-os a lidar com o trauma e o medo gerados por essas ameaças. A educação sobre segurança e prevenção também pode capacitar a comunidade escolar a identificar e reportar atividades suspeitas.
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