Costa Rica abre megapresídio inspirado em El Salvador
Unidade com 5,1 mil vagas integra a política de endurecimento penal da presidente Laura Fernández contra o crime organizado
O governo da Costa Rica inaugurou nesta quarta-feira, 14, o Centro de Alta Contenção do Crime Organizado (Cacco), prisão com vagas para 5,1 mil detentos. A presidente Laura Fernández apresentou a unidade como peça central do plano de combate a facções ligadas ao narcotráfico.
O projeto se baseia no Cecot, presídio de segurança máxima de El Salvador, que colaborou com a obra. As primeiras transferências de presos estão previstas até o fim deste mês.
Estrutura e regras internas
A construção custou cerca de US$ 34 milhões e ocupa 31 mil metros quadrados. Sua capacidade equivale a 20% da população carcerária atual do país. Em um primeiro momento, receberá presos considerados perigosos e com vínculos com organizações criminosas.
A lei costarriquenha impediu a cópia de parte das regras salvadorenhas. Os internos terão acesso à luz do dia, poderão se exercitar ao ar livre, fazer uma ligação por semana e receber visitas, o que não ocorre no Cecot. Em contrapartida, vestirão uniformes sem bolsos e ficarão sem rádio e televisão.
O discurso do governo
Fernández, eleita em fevereiro, fez da promessa de mão firme o eixo de sua campanha e já manifestou admiração pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele: “O Cacco obrigará os criminosos a enfrentar um novo modelo: um modelo de rigor no combate ao crime. A Costa Rica se tornará uma referência global em segurança prisional”.
“Estamos marcando um antes e um depois na Costa Rica em matéria de segurança penitenciária e segurança nacional (…) Vamos exercer mão firme porque ‘quem faz, paga’”, declarou em vídeo de apresentação da obra.
Violência e superlotação
A Costa Rica era um dos países mais seguros da América Latina, mas passou a registrar mais crimes ligados ao tráfico de drogas. Em 2025, foram 873 homicídios, número inferior ao de anos anteriores e ainda bem acima dos patamares históricos do país.
A população prisional chegou a um recorde de mais de 21 mil pessoas, 42% a mais do que em 2022. Segundo o governo, o aumento decorre da maior cooperação internacional, da repressão ao crime organizado e da rapidez dos tribunais.
O modelo salvadorenho
O Cecot tem capacidade para 40 mil presos e já foi alvo de denúncias de abusos, torturas, detenções ilegais e mortes. O governo dos Estados Unidos, aliado de Bukele, enviou ao local centenas de imigrantes deportados, muitos deles sem amparo legal.
Fernández visitará El Salvador na sexta-feira, 16, e deve conhecer o Cecot. Os dois países integram o Escudo das Américas, aliança liderada pelos EUA que tem o combate ao narcotráfico como objetivo oficial e reúne governos alinhados ao presidente americano, Donald Trump.
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