Coreia do Sul condiciona investimentos nos EUA à solução urgente de vistos
Primeiro-ministro coreano, Kim Min-seok, exige ação imediata de Washington após a detenção de trabalhadores em canteiro de obras; pacote comercial chega a US$ 350 bilhões
O primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Min-seok, comunicou na quarta-feira, 24, que os projetos de investimento do país nos Estados Unidos permanecerão suspensos. A decisão, anunciada em Seul durante uma entrevista exclusiva à Bloomberg News, exige que Washington atue com rapidez para solucionar o entrave dos vistos para profissionais coreanos.
A paralisação ocorre devido à insegurança gerada pela detenção de centenas de trabalhadores sul-coreanos no estado da Geórgia. A operação policial alimentou a indignação pública, levantando sérias preocupações sobre a situação legal dos compatriotas no mercado americano.
A crise de vistos e o alerta do governo coreano
Kim Min-seok afirmou que o progresso substancial dos investimentos é inviável enquanto a disputa migratória persistir: “Sem resolver a questão dos vistos, avanços significativos permanecem praticamente impossíveis”.
De acordo com o ministro, a dificuldade de mobilização profissional já afeta a execução dos projetos. Ele afirmou que “embora os projetos não tenham sido totalmente interrompidos ou formalmente suspensos, será muito difícil para um grande número de trabalhadores entrarem ou retornarem aos EUA até que esse problema seja resolvido”.
O incidente que desencadeou a crise aconteceu no início do mês. Centenas de sul-coreanos foram detidos em uma ação em uma fábrica de baterias. A instalação está sendo construída em conjunto pela Hyundai Motor e pela LG Energy Solution.
Os trabalhadores detidos foram liberados e retornaram para a Coreia do Sul aproximadamente uma semana após o ocorrido. No entanto, as imagens de profissionais algemados circularam amplamente no país de origem. O episódio abalou a Coreia do Sul, intensificando os questionamentos sobre os planos de investimento dos conglomerados coreanos nos EUA.
Kim Min-seok destacou a cautela dos trabalhadores em retornar à América, e manifestou a apreensão tanto dos profissionais quanto de seus familiares: “Na ausência de garantias firmes quanto à sua segurança, tanto eles quanto suas famílias estão compreensivelmente relutantes em voltar aos EUA enquanto essa questão permanecer sem solução”.
O entrave nos vistos acontece em um momento delicado para as relações bilaterais. Coreia do Sul e EUA estão engajados em negociações comerciais para fechar um acordo. A questão dos vistos também gera incerteza sobre um fundo de investimento adicional. O fluxo de projetos e as negociações de um pacote comercial que soma US$ 350 bilhões foi acordado em julho. O gabinete do primeiro-ministro esclareceu posteriormente que a suspensão não está diretamente ligada ao pacote de US$ 350 bilhões.
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