Consulados britânicos colocam Jerusalém na “Palestina” e agravam crise com Israel
Mudança em sites oficiais reforça reconhecimento da Palestina; governo israelense vê afronta à soberania e responde com firmeza
O governo britânico atualizou as páginas oficiais de suas representações diplomáticas e passou a classificar o British Consulate General Jerusalem com localização “Palestina”.
A alteração, embora apresentada como “ajuste técnico”, foi entendida como gesto político de alinhamento com o reconhecimento formal da Palestina anunciado por Keir Starmer em 21 de setembro.
O consulado, que antes se descrevia como responsável por “Jerusalém, Cisjordânia e Gaza”, aparece agora sob a designação “Palestina”. A mudança abandona a referência a “Territórios Palestinos Ocupados” e cristaliza em linguagem diplomática a nova orientação britânica.
Benjamin Netanyahu reagiu dizendo se tratar de “um prêmio absurdo ao terrorismo”. O primeiro-ministro declarou: “Um Estado palestino não será estabelecido a oeste do Jordão” e prometeu resposta política e diplomática.
A ala nacionalista exigiu medidas ainda mais duras.
Itamar Ben-Gvir pediu “anexação imediata da Cisjordânia e o esmagamento completo da Autoridade Palestina”.
Bezalel Smotrich defendeu “soberania plena sobre a Cisjordânia” e afirmou: “Os dias em que a Grã-Bretanha decidia nosso futuro acabaram”.
Miki Zohar chamou o reconhecimento de “declaração sem sentido que fede a antissemitismo”.
O porta-voz David Mencer afirmou que “a comunidade judaica nunca perdoará o Partido Trabalhista por essa traição”, lembrando que a decisão foi anunciada na véspera do Rosh Hashaná, o Ano-Novo Judaico.
A secretária britânica Yvette Cooper advertiu que Israel não deve retaliar com anexações: “Deixamos claro ao governo israelense que não deve fazer isso”.
No comunicado oficial sobre o reconhecimento, o Reino Unido afirmou que a decisão foi tomada “para proteger a perspectiva de uma solução de dois Estados, criar um caminho para a paz duradoura e afirmar o direito inalienável do povo palestino à autodeterminação”.
O texto ressaltou que “Hamas é uma organização terrorista bárbara que não terá papel algum no futuro da Palestina” e que Israel deve “permitir ajuda humanitária em Gaza e interromper a expansão ilegal de assentamentos na Cisjordânia”.
A posição histórica britânica sobre Jerusalém também foi reafirmada: “Desde abril de 1950, o Reino Unido reconhece de jure o Estado de Israel, mas retém o reconhecimento de soberania sobre Jerusalém até uma determinação final do seu status. Reconhecemos a autoridade de facto de Israel sobre Jerusalém Ocidental e, em linha com a Resolução 242 do Conselho de Segurança (1967) e resoluções subsequentes, consideramos Jerusalém Oriental como sob ocupação israelense”.
Para muitos israelenses, a atitude britânica repete um padrão histórico: potências externas tentando redesenhar a soberania judaica.
Desde o batismo romano da Judéia como “Síria Palestina” até os limites impostos pelo Mandato Britânico, tentativas de apagar a identidade judaica na cidade nunca prevaleceram.
No início do ano judaico de 5786, o governo israelense reafirma sua posição: “Soberania não se decide em páginas de internet”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
Prado Júnior
24.09.2025 09:29As falas de Ben-Gvir e Smotrich explicitam a natureza invasora e expansionista de Israel . E a frase abaixo mostra a natureza genocida do governo de Israel Israel's Smotrich says victory means Gaza fully 'destroyed' When asked to describe his idea of an Israeli victory, Finance Minister Bezalel Smotrich said he envisions Gaza being "completely destroyed" and its residents displaced. DW has more. https://www.dw.com/en/israels-smotrich-says-victory-means-gaza-fully-destroyed/live-72452267
Amadeus
24.09.2025 09:15Este vídeo é para quem sabe que 2+2=4 . Ou, melhor ainda, que dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo: Prof. John Mearsheimer : A Brief History of Israel https://www.youtube.com/live/z8wooQEYyzc?si=nz5r69r-YgepfE3u
Amadeus
24.09.2025 09:10Ué ? E onde mais colocariam Jerusalém senão na Palestina?