Conjunto incomum de afrescos decorativos de 3 mil anos são achados em obra monumental do antigo reino de Urartu
Uma descoberta arqueológica sem precedentes abalou a região oriental da Turquia, próxima ao famoso lago Van.
Uma descoberta arqueológica sem precedentes abalou a região oriental da Turquia, próxima ao famoso lago Van, quando uma equipe especializada em arqueologia revelou uma joia escondida: um conjunto de murais subterrâneos com quase três mil anos de existência.
Esses murais são atribuídos ao antigo reino de Urartu, civilização que floresceu durante o primeiro milênio antes de nossa era.
A escavação ocorreu em um local chamado Garibin Tepe, situado a cerca de trinta quilômetros da cidade de Van. Esta área, pouco explorada até o momento, surpreendeu pela monumentalidade de suas estruturas e pela riqueza de suas pinturas.
Segundo especialistas, esses murais subterrâneos podem ter desempenhado um papel crucial em cerimônias e rituais da realeza urartiana.
Os afrescos, cobertos por séculos sob a terra, estão organizados em três faixas horizontais que ilustram figuras de divindades, humanos e animais fantásticos, e ainda conservam traços de cores vivas.
Qual é a conexão entre Garibin Tepe e a fortaleza de Ayanis?
A relação entre Garibin Tepe e a fortaleza próxima de Ayanis, localizada a apenas três quilômetros de distância, tem despertado grande interesse entre os arqueólogos.
A proximidade e a semelhança na grandiosidade arquitetônica sugerem que ambas poderiam ter feito parte de um sistema político-religioso integrado.
Ayanis, conhecida pelo seu impressionante estado de conservação, pode ter servido como um núcleo administrativo ou mesmo cerimonial, estendendo sua influência até Garibin Tepe.
Descobertas recentes ainda apontam para possíveis rotas subterrâneas que conectariam os dois sítios, ampliando as interpretações sobre sua interação e importância estratégica.
A cuidadosa conservação dos murais e sua importância para arqueologia
Os murais de Garibin Tepe, apesar de terem resistido ao passar do tempo, agora enfrentam o desafio da conservação. Instalações com reforços metálicos e controles ambientais foram implementados para preservar tanto as cores quanto as estruturas.
Esse esforço de conservação é essencial, dada a fragilidade do material em que foram originalmente pintados. Os tijolos de barro, embora tenham proporcionado uma base adequada em seu tempo, agora exigem atenção especializada para evitar o desgaste e a degradação.
Projetos colaborativos com universidades têm trazido tecnologias inovadoras para análise e restauração dos pigmentos dessas pinturas milenares.
Archaeologists have Unearthed an estimated 3,000-Year-Old Subterranean Urartian Subterranean Maze.
— Ancient Hypotheses (@AncientEpoch) November 10, 2025
A network of chambers and narrow corridors have walls bearing paintings with vibrant colors and symbols.
The site is located under "Garibin Tepe" near Van, Türkiye.
Garibin… pic.twitter.com/eovgg9P8ZN
A arte de Urartu sob uma nova perspectiva da arqueologia
A descoberta desses murais subterrâneos abre uma nova janela no campo da arqueologia para o estudo da arte urartiana. Até então, o conhecimento sobre essa civilização se baseava principalmente em suas imponentes fortificações e sistemas hidráulicos.
No entanto, os afrescos adicionam uma nova dimensão, revelando aspectos rituais e simbólicos que enriquecem a compreensão de sua cultura visual.
Os pigmentos utilizados e a disposição espacial das imagens sugerem um simbolismo sofisticado, respaldado pelo mecenato das elites.
Pesquisas recentes destacam também a influência de culturas vizinhas, como a assíria, nos estilos e temas representados nessas obras.
Leia também: Como eram aquecidos os palácios durante a Idade Média?
In the highlands near Van in eastern Turkey, once part of the ancient Kingdom of Urartu which spanned much of historic Armenia, archaeologists have uncovered one of the best-preserved Urartian underground sanctuaries beneath Garibin Tepe hill. The discovery, reported by… pic.twitter.com/MLmXnBgeUj
— 301🇦🇲 (@301arm) November 7, 2025
O que os afrescos revelam sobre a ideologia de Urartu?
Esses afrescos não são apenas artísticos, mas também contêm códigos de comunicação usados para transmitir ideias religiosas e políticas. Por meio do uso das cores e da disposição das figuras, é possível inferir uma profunda conexão com o cosmos e com os ciclos naturais.
Além disso, a localização subterrânea pode indicar uma ligação com cerimônias relacionadas a ancestrais ou processos de legitimação real, oferecendo uma nova dimensão ao entendimento do reino de Urartu e sua ideologia.
Estudos iconográficos atuais buscam decifrar mais detalhadamente o papel de cada figura nas composições, sugerindo possíveis interpretações ligadas à astronomia e à mitologia local.
A descoberta de Garibin Tepe é mais do que um achado arqueológico; é uma janela para a compreensão da arte e da ideologia de uma civilização antiga cuja voz ainda ressoa através das camadas da história.
Ao estudar esses afrescos e seu contexto arquitetônico, o mundo moderno pode restabelecer contato com as crenças e rituais de Urartu, enriquecendo o conhecimento sobre o passado humano.
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