Conheça o único animal no mundo extinto duas vezes
Em 2003, cientistas da Espanha e da França clonaram um bucardo, subespécie de cabra-montês ibérica já extinta
Em 2003, cientistas da Espanha e da França clonaram um bucardo, subespécie de cabra-montês ibérica já extinta, obtendo o nascimento de um filhote que sobreviveu apenas alguns minutos, tornando-se o único animal conhecido a ser extinto duas vezes.
O que foi a clonagem do bucardo extinto
A clonagem do bucardo, subespécie da cabra-montês ibérica, consistiu em recriar um indivíduo extinto a partir de células conservadas em laboratório.
O material genético utilizado veio de uma fêmea de bucardo catalogada antes da extinção oficial da subespécie.
Os pesquisadores recorreram à transferência nuclear de células somáticas, mesma técnica usada na ovelha Dolly, adaptada às características da espécie selvagem.
O núcleo de uma célula adulta do bucardo foi inserido em óvulos de cabras domésticas previamente esvaziados de seu DNA.

Como o experimento de clonagem do bucardo foi realizado
O procedimento envolveu várias etapas planejadas para restaurar a configuração genética do bucardo utilizando cabras domésticas como receptoras.
Células da fêmea de bucardo foram preservadas, e óvulos de cabras foram preparados para receber o material genético.
A seguir, estão as principais etapas técnicas que estruturaram o experimento de clonagem do bucardo:
- Coleta e congelamento de células de uma fêmea de bucardo antes da extinção.
- Retirada do núcleo de óvulos de cabras domésticas.
- Inserção do núcleo das células do bucardo nesses óvulos vazios.
- Cultivo dos embriões clonados em laboratório até estágio adequado.
- Implantação dos embriões em fêmeas de cabra doméstica selecionadas.
O nascimento do clone de bucardo e sua extinção pela segunda vez
Centenas de embriões clonados foram formados, mas apenas uma gestação chegou ao fim, concluída por cesariana em julho de 2003.
O filhote nasceu com aparência morfologicamente normal, segundo os relatos científicos disponíveis.
Análises de DNA nuclear confirmaram que o animal era geneticamente idêntico à fêmea doadora de bucardo.
Ao morrer poucos minutos após o nascimento, esse indivíduo tornou-se o único caso conhecido de um animal que foi declarado extinto duas vezes.
Por que o clone de bucardo sobreviveu por poucos minutos
Logo após o parto, o filhote apresentou dificuldade respiratória intensa e não respondeu às tentativas de estabilização.
A morte ocorreu em poucos minutos, ainda na unidade veterinária que acompanhava o procedimento.
A necropsia revelou uma malformação pulmonar letal, impedindo trocas gasosas adequadas.
Estudos sobre clonagem de mamíferos indicam que anomalias em pulmões, coração e órgãos internos são frequentes, associadas a falhas na reprogramação celular e no desenvolvimento embrionário.
Íbex dos Pirenéus- 2000 pic.twitter.com/gQojol17qh
— CreatingTudo{♡} (@CreatingTudo) August 17, 2019
Quais são os principais riscos biológicos da clonagem em espécies ameaçadas
A experiência com o bucardo evidenciou limitações importantes da clonagem como ferramenta de conservação.
Entre elas estão o alto índice de perdas embrionárias e a elevada incidência de problemas de saúde em clones que chegam a nascer.
- Baixa taxa de sucesso gestacional e muitos embriões inviáveis.
- Alterações epigenéticas que afetam a ativação e o silenciamento de genes.
- Risco de envelhecimento celular acelerado ligado ao histórico das células doadoras.
- Complicações obstétricas em fêmeas receptoras, sobretudo em gestações múltiplas.
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