Conflito entre Índia e Paquistão escala após atentado na Caxemira
Na madrugada desta quarta-feira, 7 de maio, caças indianos realizaram ataques em nove locais no território paquistanês, conforme declarado pelo Ministério da Defesa da Índia
Duas de semanas após um ataque terrorista que resultou na morte de 25 turistas na Caxemira, a Índia reagiu com uma série de bombardeios contra alvos no Paquistão.
Na madrugada desta quarta-feira, 7 de maio, caças indianos realizaram ataques em nove locais no território paquistanês, conforme declarado pelo Ministério da Defesa da Índia.
As operações, descritas como “focadas, limitadas e não escalonadas”, tinham como objetivo desmantelar a “infraestrutura terrorista”, sem atingir instalações militares paquistanesas.
A Força Aérea indiana afirmou que os ataques foram justificados como uma medida para garantir a justiça.
Por outro lado, o Ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, afirmou que cinco caças indianos foram abatidos durante os confrontos.
O governo indiano inicialmente não confirmou essa informação; no entanto, agências de notícias como a Reuters relataram que três aeronaves caíram em diferentes pontos da região do Himalaia.A perda de várias aeronaves em combate seria um revés significativo para a Índia.
Atentado na Caxemira
O ataque aéreo se seguiu a um atentado ocorrido em 22 de abril, quando três ou quatro atacantes emboscaram um grupo de turistas em uma área montanhosa da Caxemira.
Este foi considerado o ataque mais letal contra turistas desde o início do conflito na região em 1989. A Índia responsabilizou o grupo terrorista Lashkar-e Toiba e acusou os serviços secretos paquistaneses de terem orquestrado o ataque.
Em resposta aos bombardeios indianos na noite anterior, o exército paquistanês iniciou bombardeios de artilharia ao longo da chamada Linha de Controle, resultando na morte de pelo menos oito civis na Índia. Em contrapartida, o exército paquistanês relatou 26 mortos e 46 feridos em seu lado da linha.
Os ataques aéreos indianos também incluíram alvos em áreas centrais do Paquistão. Esta foi a primeira vez desde a crise de Balakot em fevereiro de 2019 que a Índia lançou tais ataques.
Naquela ocasião, um ataque suicida resultou na morte de mais de 40 policiais indianos, levando a uma resposta militar indiana que culminou em bombardeios sobre um campo terrorista no Paquistão.
ONU se pronuncia
A crescente tensão entre os dois países gerou preocupação internacional. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, pediu moderação a ambas as partes, enquanto o presidente dos EUA expressou esperanças por uma resolução rápida do conflito.
A operação militar indiana visou acampamentos associados às organizações terroristas Lashkar-e Toiba e Jaish-e Mohammed.
Entre os alvos estava Muridke, perto da cidade paquistanesa de Lahore, considerada um bastião do extremismo islâmico. Também foi atingido um seminário religioso ligado ao Jaish-e Mohammed em Bahawalpur.
Os comentários provenientes da Índia sugerem que o governo pretende manter sua posição militar firme. O Ministro da Defesa indiano parabenizou as forças armadas pelo que classificou como um “sucesso” na operação chamada “Sindoor”, uma referência simbólica às esposas enlutadas pelo recente ataque terrorista.
Índia e Paquistão
Embora haja uma narrativa clara sobre a responsabilidade do Paquistão no atentado, o governo paquistanês negou qualquer envolvimento e solicitou uma investigação internacional.
Em resposta ao ataque terrorista, a Índia tomou medidas políticas significativas contra o Paquistão, incluindo o fechamento das fronteiras e a expulsão de diplomatas.
Entre as repercussões mais drásticas está a suspensão do Acordo Indus, que regula o uso das águas do rio Indus entre os dois países — uma ação sem precedentes que poderia ter consequências devastadoras para a população paquistanesa.
Islamabad advertiu que qualquer interferência nos fluxos hídricos seria considerada um “ato de guerra”.
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