Condenada sobrevive a duas injeções letais no Tennessee
Governador suspende execuções até o fim de 2026 e determina revisão independente após Christa Pike continuar viva depois de duas aplicações
O governo do Tennessee, nos Estados Unidos, suspendeu as execuções previstas para este ano depois que Christa Pike, de 50 anos, não morreu após receber duas doses de pentobarbital, na quarta-feira, 30.
A condenada foi levada de ambulância a um hospital. O governador Bill Lee ordenou uma “revisão abrangente e independente para determinar exatamente o que ocorreu” e informou que a execução restante em 2026, marcada para 3 de dezembro, não será realizada.
O que se sabe sobre a execução
A aplicação estava marcada para as 10h de quarta-feira. Cerca de uma hora antes, um tribunal de apelações havia suspendido o procedimento, mas, horas depois, a Suprema Corte derrubou a decisão.
Segundo os advogados de Pike, ela estava viva após a tentativa e deixou a prisão de ambulância. Eles afirmaram que não receberam informações sobre o estado de saúde da cliente.
O Departamento Correcional do Tennessee declarou ter cumprido todas as etapas do protocolo legal. A norma prevê um segundo conjunto de seringas com drogas letais se o detento continuar vivo após a primeira aplicação, mas não define o procedimento caso ele sobreviva também à segunda.
Robin M. Maher, diretora executiva do Centro de Informações sobre a Pena de Morte, classificou o episódio como “único e sem precedentes”. Segundo ela, sete pessoas já sobreviveram por falhas das equipes em acessar uma veia, mas nenhuma permaneceu viva após receber as drogas usadas nesse tipo de execução.
O crime e a condenação
Pike passou quase três décadas no corredor da morte, depois de condenada por homicídio em 1996. Ela seria a primeira mulher executada no estado em 200 anos.
O crime ocorreu em 12 de janeiro de 1995, em Knoxville, quando Pike tinha 18 anos. Ela e o namorado mataram Colleen Slemmer, de 19 anos, em um centro de treinamento profissional para jovens. De acordo com os promotores, Pike temia que Slemmer tentasse roubar o namorado e atraiu a jovem para uma área de mata, onde a feriu com um estilete e a golpeou com um pedaço de concreto.
O corpo foi encontrado com um pentagrama, símbolo frequentemente associado ao satanismo, gravado no peito, o que deu repercussão nacional ao caso. O namorado, identificado como Shipp, admitiu ter feito a marca. Ele tinha 17 anos e foi condenado à prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Pike foi a única sentenciada à morte.
Debate sobre a pena para jovens
A defesa pediu clemência ao governador, que disse que não interviria: “Ela tinha 18 anos quando cometeu o crime e sofria de uma grave doença mental”, escreveram os advogados no pedido. Após o assassinato, Pike foi diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático.
No pedido, ela declarou: “Eu era uma jovem de 18 anos com doença mental. Levei muitos anos até compreender a gravidade do que havia feito”. Pike não negou o crime, mas seus defensores pediram que o estado considerasse a idade, a doença mental e alegações de abuso sexual severo.
O defensor público federal assistente Stephen Ferrell afirmou que o caso é excepcional porque outros condenados no Tennessee que tinham 18 anos na época do crime tiveram as penas capitais anuladas.
Posição da família da vítima
A mãe de Slemmer, May Martinez, viajou a Nashville para acompanhar a execução. Em entrevista à agência Associated Press, no sábado, disse que esperava havia décadas o cumprimento da sentença. “Sempre que penso nisso, penso em Colleen sentindo aquela dor e tentando se levantar e correr”, afirmou. Ela não foi localizada para comentar a suspensão.
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