Como é viver no país que parece ter parado nos anos 50 e o acesso a internet e gasolina é quase impossível

10.10.2026

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Como é viver no país que parece ter parado nos anos 50 e o acesso a internet e gasolina é quase impossível
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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 09.05.2026 18:03 comentários
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Como é viver no país que parece ter parado nos anos 50 e o acesso a internet e gasolina é quase impossível

Racionamento, filas e improvisos constantes transformam tarefas simples em desafios diários para milhões de cubanos.

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Como é viver no país que parece ter parado nos anos 50 e o acesso a internet e gasolina é quase impossível
A vida cubana contemporânea é pautada pelo improviso e falta de recursos.

Em Cuba, viver o dia a dia significa se adaptar o tempo todo à falta de recursos e à instabilidade dos serviços. A rotina é guiada pelo que aparece: se há luz, se chegou água, se o transporte funciona, se o mercado recebeu algum produto. Em vez de planejar a semana, muitos pensam em blocos de poucas horas, ajustando tarefas domésticas, trabalho e estudo conforme a energia e o abastecimento permitem, em um cenário de crise prolongada e incerteza constante.

Como a falta de combustível afeta o transporte e a mobilidade em Cuba

A escassez de combustível é um dos fatores que mais moldam a vida na ilha. Em muitos postos, não há gasolina ou diesel, e abastecer o carro vira quase um projeto de longo prazo, com listas de espera, monitoramento de aplicativos e semanas de incerteza até encher o tanque.

Quem não pode esperar recorre ao mercado informal, onde a gasolina é vendida em galões, muitas vezes em moeda forte e a preços muito acima do salário médio. Isso reduz ônibus nas ruas, enfraquece o transporte público, diminui rotas de táxis e faz muitos carros particulares ficarem parados, enquanto longas caminhadas e carroças puxadas por animais voltam à paisagem urbana.

A falta de gasolina paralisa o transporte e impulsiona mercados informais.

Como os apagões e o racionamento de energia impactam a rotina doméstica

O cotidiano cubano é marcado pelo racionamento de energia, já que a produção elétrica depende diretamente de combustível. Famílias organizam a rotina em torno de faixas de horário com menor risco de apagão, tentando cozinhar, lavar roupas ou estudar nos períodos em que a luz é mais estável.

A busca por alimentos básicos também é marcada por incerteza. O sistema estatal distribui uma espécie de “cesta mínima” registrada em caderneta, mas os estoques nem sempre acompanham a demanda, o que leva a prateleiras vazias e filas que começam ainda de madrugada em padarias e mercados subsidiados.

Leia também: Manchas na unha indicam falta de cálcio ou esse é um dos mitos mais persistentes sobre o corpo?

Como funcionam os dois tipos de mercado e os salários em Cuba

Um traço marcante da vida em Cuba é a convivência de dois sistemas de consumo. De um lado, lojas em pesos cubanos, com preços menores e pouca variedade; de outro, mercados em moeda estrangeira, geralmente dólares ou equivalentes, com prateleiras cheias e ampla oferta de alimentos, higiene e eletrodomésticos.

Para quem recebe salário em pesos, como professores, médicos e servidores públicos, comprar em mercados dolarizados quase nunca é viável. Já famílias com remessas do exterior ou ligadas ao turismo conseguem acessar esses espaços com mais frequência, gerando uma desigualdade de consumo visível mesmo em uma economia com forte presença do Estado. Filas em bancos e caixas eletrônicos, limites de saque e a busca por moeda estrangeira alimentam redes paralelas de troca e revenda.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Joe HaTTab mostrando como é a rotina e os desafios das pessoas que vivem na Cuba.

Como a crise afeta serviços básicos, moradia e o acesso à internet

O fornecimento de água depende de bombas e caminhões que também precisam de combustível, o que faz muitos bairros receberem água apenas a cada 15, 18 ou até 21 dias. Moradores armazenam o máximo possível em tanques e recipientes, enquanto quem pode paga caminhões-pipa privados; quem não pode, espera pela distribuição pública. A coleta de lixo é irregular, o que leva ao acúmulo em calçadas e à queima em terrenos baldios, agravando problemas ambientais e de saúde.

Na saúde, a rede pública ampla e o grande número de profissionais esbarram na falta de insumos, combustível e energia, com apagões afetando equipamentos e elevadores. A educação superior também sofre, com aulas presenciais suspensas e tentativas de atividades online em uma realidade de internet cara e instável. Para driblar a limitação digital, muitos recorrem à compra de pendrives cheios de filmes, séries e videoclipes, enquanto cinemas podem interromper sessões se a energia falhar, sem garantia de ressarcimento.

Setor Afetado Situação Crítica
Economia Paralela O mercado negro torna-se a principal fonte de combustível, alimentos importados e medicamentos, operando com preços extremamente elevados.
Infraestrutura Urbana Desgaste estrutural severo em edifícios antigos com risco iminente de desabamento, forçando o deslocamento de famílias para abrigos coletivos.
Logística e Transporte A suspensão de JetFuel (fev-mar/2026) provoca a redução drástica de voos, agravando o isolamento geográfico da ilha.

Como os cubanos encaram o passado político e enxergam o futuro

A história da Revolução de 1959, o embargo econômico dos EUA e o antigo alinhamento com a União Soviética ainda aparecem no discurso oficial e em estruturas como os Comitês de Defesa da Revolução. Porém, para grande parte da população, a prioridade cotidiana deixou de ser a mobilização política e passou a ser garantir comida, água, remédios e alguma renda, em meio a um cansaço generalizado com a crise prolongada.

Planos de migração são tema constante em conversas de rua, enquanto outros escolhem ficar por laços afetivos, identidade e falta de opções concretas fora da ilha. Entre ruas escuras, improvisos diários e a lembrança de tempos de maior apoio externo, viver em Cuba hoje é enfrentar um presente duro e um futuro incerto. É urgente ouvir essas vozes, discutir alternativas e agir agora — seja informando, pressionando por mudanças ou apoiando iniciativas que reduzam o sofrimento de quem vive essa realidade todos os dias.

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