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“Como a mentalidade empresarial selou o acordo em Gaza”, diz historiador

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Alexandre Borges
3 minutos de leitura 17.10.2025 09:53 comentários
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“Como a mentalidade empresarial selou o acordo em Gaza”, diz historiador

Niall Ferguson analisa como Jared Kushner e Steve Witkoff aplicaram pragmatismo do mundo dos negócios para encerrar a guerra e libertar reféns

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Alexandre Borges
3 minutos de leitura 17.10.2025 09:53 comentários 0
“Como a mentalidade empresarial selou o acordo em Gaza”, diz historiador
Foto: Divulgação
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Para o historiador britânico Niall Ferguson, em artigo publicado no portal The Free Press, Donald Trump conseguiu mediar a paz onde Joe Biden fracassou por causa do método: em vez de diplomacia tradicional, prevaleceu o raciocínio de quem fecha grandes negócios.

Segundo Ferguson, Jared Kushner e Steve Witkoff trataram o conflito como uma negociação complexa de investimento. “É apenas um esporte diferente”, cita o autor, reproduzindo a frase de Kushner ao comparar empresários e diplomatas.

O historiador argumenta que a estratégia funcionou porque se apoiou em relações pessoais e na influência econômica de Trump sobre líderes árabes. Biden, ao contrário, havia se distanciado da Arábia Saudita e mantinha um relacionamento desgastado com Benjamin Netanyahu.

“Biden e sua classe de especialistas falharam porque as estruturas da velha diplomacia deixaram de funcionar”, escreve Ferguson. Ele sustenta que o poder hoje depende menos de instituições multilaterais e mais de redes privadas de capital e acesso político.

O autor analisou as etapas do acordo. Após o bombardeio israelense a Doha, em 9 de setembro, Kushner e Witkoff negociaram com o Catar um plano de 20 pontos, que incorporou sugestões do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e de seu ex-chefe de gabinete Jonathan Powell.

O texto combinava o cessar-fogo, a devolução dos reféns e uma troca de prisioneiros.

Trump, segundo Ferguson, forçou Netanyahu a aceitar o plano. “Você vai fazer”, teria dito o presidente, durante uma reunião de 11 horas. Netanyahu cedeu, mesmo contrariado por pontos sobre anistia a membros do Hamas e menções a “autodeterminação palestina”.

A abordagem, afirma Ferguson, foi exercer pressão indireta.

“Em vez de sentar israelenses e árabes numa sala, a estratégia foi agir por meio de outros atores regionais”, explicou. Catar, Egito e Turquia pressionaram o Hamas, enquanto Trump elogiava Recep Tayyip Erdoğan na conferência do Egito, reconhecendo sua influência sobre o grupo.

Para Ferguson, o êxito refletiu a lógica de investidores acostumados a lidar com risco.

“Eles apostam alto em acordos improváveis. Se falham, é apenas parte do jogo”, escreveu. Essa disposição, diz o historiador, substituiu o medo de fracassar que travava diplomatas como Henry Kissinger.

O plano, porém, tem incertezas. A segunda fase prevê um “Conselho da Paz” presidido por Trump e um governo palestino de transição, metas que o autor considera distantes. “São castelos no ar”, reconhece.

Ferguson menciona também as críticas sobre os conflitos de interesse de Kushner.

Sua empresa de investimentos, Affinity Partners, recebeu bilhões de dólares de fundos soberanos da Arábia Saudita e do Catar. O autor afirma que esses laços, embora controversos, fortaleceram a rede de confiança usada nas negociações.

Ao encerrar, o historiador adverte que a mistura entre poder político e interesses privados é arriscada, mas, neste caso, eficaz: “Os negociadores conseguiram o que os diplomatas não podiam. A lógica do investimento venceu a burocracia da paz.”

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