Clarita Maia na Crusoé: O eixo Irã-Hezbollah na América Latina
Mais de trinta anos após o atentado à Amia e uma década após a morte de Nisman, a Argentina ainda convive com perguntas sem respostas
As conexões entre o Cartel dos Sóis, na Venezuela, e atores como o Irã, o Hezbollah e o Hamas vêm sendo debatidas por analistas de geopolítica há anos, especialmente após a controvertida captura, ou sequestro, de Nicolás Maduro por forças americanas.
Há, contudo, evidências de que a presença e a atuação desses atores no subcontinente são muito mais antigas e estruturalmente enraizadas do que os episódios recentes sugerem.
Há onze anos, em 18 de janeiro de 2015, o promotor de Justiça argentino Alberto Nisman denunciava a então presidente Cristina Fernández de Kirchner e membros do alto escalão de seu governo pela tentativa de encobrir suspeitos do maior atentado terrorista da história da América Latina, mediante um acordo diplomático com o Irã.
Horas antes de formalizar a denúncia perante o Congresso argentino, Nisman foi encontrado morto em seu apartamento, com um tiro na cabeça.
Inicialmente tratada como suicídio, sua morte passou a ser reavaliada à luz de novas perícias e decisões judiciais, que apontaram indícios consistentes de homicídio.
O caso revelou, no mínimo, falhas profundas do Estado argentino tanto no dever de proteger seus agentes de persecução penal quanto na obrigação de investigar, com diligência reforçada, mortes potencialmente ilícitas.
No plano jurídico-institucional, a morte de Nisman levantou questões graves sobre a independência do Ministério Público, a obstrução da justiça e o uso político das instituições.
Nisman investigava o atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), ocorrido m 1994, um marco traumático e um divisor de águas para as estruturas de segurança e investigação na região.
As evidências reunidas indicavam que o ataque…
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