Clarita Maia na Crusoé: Marc Bloch no Panteão Francês
Cerimônia de homenagem a Bloch torna ainda mais notável a ausência do capitão Alfred Dreyfus
A França prestou, nesta semana, uma de suas mais altas honrarias nacionais a Marc Bloch e a sua esposa, Simonne. Seus restos mortais foram transladados ao Panthéon, em Paris, o templo cívico que a República reserva àqueles que considera seus maiores exemplos de virtude. A homenagem é inteiramente merecida.
Nascido em Lyon, no seio de uma família judaica da Alsácia, Marc Bloch tornou-se um dos maiores historiadores do século XX e é cofundador da famosa Escola dos Annales, que revolucionou a historiografia moderna.
Combatente condecorado na Primeira Guerra Mundial, mobilizado novamente em 1939, afastado do serviço público pelo regime colaboracionista de Vichy por ser judeu, integrante da Resistência Francesa, preso, torturado e fuzilado pela Gestapo em 1944, Bloch reúne, em uma única trajetória, os atributos que a República Francesa mais gosta de celebrar: inteligência, coragem e sacrifício. A raríssima combinação de um homem de pensamento e um homem de ação.
Caso Dreyfus
Em uma Europa que assiste ao recrudescimento do antissemitismo, sua entrada no Panthéon constitui uma afirmação urgente dos valores republicanos, dos direitos humanos e do liberalismo político.
A cerimônia também produz um efeito inesperado: ela torna ainda mais notável uma ausência. A ausência do capitão Alfred Dreyfus.
O Caso Dreyfus marcou, profundamente, a geração do historiador Marc Bloch. Consiste em um dos mais emblemáticos erros judiciários da história moderna. Denunciado pelo jurista brasileiro Rui Barbosa, o episódio…
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