Cientistas revivem microorganismos de 40 mil anos e descobrem liberação acelerada de carbono

19.08.2026

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Cientistas revivem microorganismos de 40 mil anos e descobrem liberação acelerada de carbono

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4 minutos de leitura 26.11.2025 13:04 comentários
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Cientistas revivem microorganismos de 40 mil anos e descobrem liberação acelerada de carbono

Fenômeno amplia incertezas nos modelos de clima

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Cientistas revivem microorganismos de 40 mil anos e descobrem liberação acelerada de carbono
A forma de vida foi descoberta no permafrost do Alaska - Créditos: depositphotos.com / Onyx124

Adormecido sob o solo congelado do Alasca, um mundo há muito perdido começa a despertar. Numa tentativa inovadora, cientistas reviveram microrganismos congelados por cerca de 40.000 anos.

A pesquisa, conduzida em um túnel no permafrost próximo a Fairbanks, revelou que esses micróbios, antes inertes, estão agora ativos e liberando gases de efeito estufa, capazes de intensificar o aquecimento da Terra.

Microrganismos do permafrost influenciam o aquecimento global?

A pesquisa publicada no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences destaca um risco crescente: grandes áreas de permafrost estão descongelando rapidamente devido às mudanças climáticas. O carbono orgânico, antes selado no solo congelado, fica vulnerável à decomposição microbiana, resultando em enormes emissões de gases nocivos.

Com o degelo, bilhões de toneladas de carbono podem ser liberadas na forma de dióxido de carbono e metano. Esse processo representa uma ameaça significativa à estabilidade climática global, influenciando diretamente as projeções de aquecimento futuro.

Entrada do túnel do permafrost, localizada no Alasca - David Marquis/US Army Corps of Engineers
Entrada do túnel do permafrost, localizada no Alasca – David Marquis/US Army Corps of Engineers

O que ocorre quando o carbono do permafrost é liberado no ambiente?

Pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder coletaram amostras do Túnel de Pesquisa do Permafrost, próximo a Fox, Alasca. Algumas dessas amostras foram extraídas a mais de 20 metros de profundidade e datam do final do Pleistoceno.

Após o descongelamento controlado, observou-se uma reação biológica significativa. Biofilmes formaram-se rapidamente nos equipamentos, indicando que micróbios antigos podem ser reativados sob temperaturas similares às atuais, resultando em imediata liberação de gases.

Quais são os impactos do degelo do permafrost para o clima?

Quando reativados, os microrganismos do permafrost metabolizam a matéria orgânica presa no solo congelado e emitem gases como CO₂ e metano. Isso eleva o risco de intensificação do aquecimento global, considerando que o permafrost guarda cerca do dobro do carbono presente na atmosfera.

Entre as consequências desse processo, os principais impactos ambientais podem ser listados a seguir:

  • Liberação em larga escala de gases de efeito estufa
  • Potencial alteração de ecossistemas locais e globais
  • Aceleração do degelo devido ao aumento das temperaturas
  • Maior imprevisibilidade no ciclo do carbono global

As estações mais longas aumentam o risco de liberação de carbono?

Tristan Caro, autor principal do estudo, destaca que a atividade microbiana está mais relacionada ao prolongamento das estações quentes do que a ondas de calor pontuais. Um verão mais extenso se traduz em maior tempo para os microrganismos processarem o carbono armazenado.

Com o aumento do tempo de degelo anual, a tendência é que as liberações de carbono ocorram de forma mais eficiente e em maior volume, ampliando o desafio para conter o aquecimento global.

O que o ressurgimento microbiano do permafrost revela sobre as incertezas climáticas?

Talvez o aspecto mais preocupante do estudo seja o intervalo entre o degelo e o aumento da atividade microbiana. Para os modelos climáticos, compreender esse atraso é fundamental, já que as emissões podem não ser imediatas, mas se amplificar após meses.

Por mais que o estudo tenha analisado apenas uma área restrita no Alasca, regiões como Sibéria, Canadá, Groenlândia e partes da América do Sul também abrigam reservas similares de permafrost e potenciais ecossistemas microbianos. Monitorar essas áreas é essencial para prever possíveis implicações globais das mudanças climáticas.

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