Cientistas revivem microorganismos de 40 mil anos e descobrem liberação acelerada de carbono
Fenômeno amplia incertezas nos modelos de clima
Adormecido sob o solo congelado do Alasca, um mundo há muito perdido começa a despertar. Numa tentativa inovadora, cientistas reviveram microrganismos congelados por cerca de 40.000 anos.
A pesquisa, conduzida em um túnel no permafrost próximo a Fairbanks, revelou que esses micróbios, antes inertes, estão agora ativos e liberando gases de efeito estufa, capazes de intensificar o aquecimento da Terra.
Microrganismos do permafrost influenciam o aquecimento global?
A pesquisa publicada no Journal of Geophysical Research: Biogeosciences destaca um risco crescente: grandes áreas de permafrost estão descongelando rapidamente devido às mudanças climáticas. O carbono orgânico, antes selado no solo congelado, fica vulnerável à decomposição microbiana, resultando em enormes emissões de gases nocivos.
Com o degelo, bilhões de toneladas de carbono podem ser liberadas na forma de dióxido de carbono e metano. Esse processo representa uma ameaça significativa à estabilidade climática global, influenciando diretamente as projeções de aquecimento futuro.

O que ocorre quando o carbono do permafrost é liberado no ambiente?
Pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder coletaram amostras do Túnel de Pesquisa do Permafrost, próximo a Fox, Alasca. Algumas dessas amostras foram extraídas a mais de 20 metros de profundidade e datam do final do Pleistoceno.
Após o descongelamento controlado, observou-se uma reação biológica significativa. Biofilmes formaram-se rapidamente nos equipamentos, indicando que micróbios antigos podem ser reativados sob temperaturas similares às atuais, resultando em imediata liberação de gases.
Quais são os impactos do degelo do permafrost para o clima?
Quando reativados, os microrganismos do permafrost metabolizam a matéria orgânica presa no solo congelado e emitem gases como CO₂ e metano. Isso eleva o risco de intensificação do aquecimento global, considerando que o permafrost guarda cerca do dobro do carbono presente na atmosfera.
Entre as consequências desse processo, os principais impactos ambientais podem ser listados a seguir:
- Liberação em larga escala de gases de efeito estufa
- Potencial alteração de ecossistemas locais e globais
- Aceleração do degelo devido ao aumento das temperaturas
- Maior imprevisibilidade no ciclo do carbono global
As estações mais longas aumentam o risco de liberação de carbono?
Tristan Caro, autor principal do estudo, destaca que a atividade microbiana está mais relacionada ao prolongamento das estações quentes do que a ondas de calor pontuais. Um verão mais extenso se traduz em maior tempo para os microrganismos processarem o carbono armazenado.
Com o aumento do tempo de degelo anual, a tendência é que as liberações de carbono ocorram de forma mais eficiente e em maior volume, ampliando o desafio para conter o aquecimento global.
Permafrost contains twice as much carbon as the atmosphere. It's now thawing and emitting more co2 and methane than it absorbs. This amplifying feedback is way sooner than expected, although the evidence was there by 2018 when I included it in the @deepadaptation paper.… pic.twitter.com/ewQXJiyVAI
— Prof Jem Bendell 🌍☸️ (@jembendell) April 15, 2024
O que o ressurgimento microbiano do permafrost revela sobre as incertezas climáticas?
Talvez o aspecto mais preocupante do estudo seja o intervalo entre o degelo e o aumento da atividade microbiana. Para os modelos climáticos, compreender esse atraso é fundamental, já que as emissões podem não ser imediatas, mas se amplificar após meses.
Por mais que o estudo tenha analisado apenas uma área restrita no Alasca, regiões como Sibéria, Canadá, Groenlândia e partes da América do Sul também abrigam reservas similares de permafrost e potenciais ecossistemas microbianos. Monitorar essas áreas é essencial para prever possíveis implicações globais das mudanças climáticas.
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