Cientistas identificam um escorpião do tamanho de um cachorro
Fósseis guardados num museu por 150 anos revelam o maior escorpião que já existiu
Fósseis que ficaram em gavetas do Museu de História Natural de Londres por mais de 150 anos acabaram de revelar algo que os cientistas não esperavam: o maior escorpião já registrado pela ciência. O Praearcturus gigas tinha cerca de 1 metro de comprimento, pinças de 16 centímetros e viveu há 415 milhões de anos no que hoje é a Inglaterra e o País de Gales. O estudo foi publicado em 2 de junho de 2026 na revista científica Palaeontology.
O que é o Praearcturus gigas e onde ele foi encontrado?
O nome já diz tudo: gigas significa gigante, e o animal faz jus ao apelido. Os fósseis foram descobertos em camadas de rocha da Formação St Maughans, no Reino Unido, e datam do período Devoniano Inferior. Parte deles já era conhecida desde 1870, mas por mais de um século ninguém sabia exatamente o que era aquele animal.
Durante décadas, o Praearcturus foi classificado como crustáceo, algo parecido com uma lagosta pré-histórica. A reclassificação como escorpião foi feita nos anos 1980, mas ainda gerava dúvidas. O novo estudo, liderado pelo curador de artrópodes fósseis do museu londrino, Richard J. Howard, usou técnicas modernas de imagem e comparação anatômica para confirmar de vez.

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Como os cientistas provaram que era um escorpião?
A chave veio de outro fóssil. Em 2015, pesquisadores descreveram um escorpião canadense chamado Eramoscorpius brucensis, de cerca de 430 milhões de anos. Esse animal preservava uma estrutura chamada esterno, uma placa triangular alongada com um sulco no meio, na parte de baixo do corpo. Era exatamente a mesma estrutura presente no Praearcturus gigas. Segundo o Museu de História Natural de Londres, essa evidência eliminou as dúvidas sobre a classificação.
Além do externo, os pesquisadores da Universidade de Manchester fizeram fotografias detalhadas, ilustrações e comparações com outras espécies. O resultado foi a primeira reconstrução completa do animal. Veja as principais características confirmadas pelo estudo:
Quando e onde esse escorpião viveu?
O Praearcturus gigas habitou planícies úmidas do que hoje é a Grã-Bretanha há 415 milhões de anos, no período Devoniano Inferior. Nessa época, a vida terrestre estava apenas começando. Não existiam árvores, os vertebrados ainda viviam na água e os primeiros animais a sair do mar tinham chegado à terra havia apenas 15 milhões de anos antes.
Era um mundo quase vazio. Havia fungos, musgos e plantas rasteiras com poucos centímetros de altura. Nesse cenário, o Praearcturus era um dos únicos grandes predadores em ação. Compare como ele se relaciona com outros artrópodes gigantes da pré-história:
| Animal | Tamanho e período | Status |
|---|---|---|
| Praearcturus gigasEscorpião — Grã-Bretanha, Devoniano | Cerca de 1 m — 415 milhões de anos atrás | Maior escorpião já registrado |
| ArthropleuraMilípede gigante — Carbonífero | Até 2,6 m — cerca de 345 milhões de anos atrás | Maior artrópode terrestre |
| Pterygotus rhenaniaeEuripterídeo (escorpião-do-mar) — Devoniano | Até 1,7 m — cerca de 390 milhões de anos atrás | Maior artrópode aquático |
| Escorpião-gigante-da-floresta (atual)Pandinus imperator — África | Até 13 cm — vivo hoje | Maior espécie viva |
Por que esse escorpião cresceu tanto?
A explicação clássica para o gigantismo nos artrópodes pré-históricos era o alto nível de oxigênio na atmosfera, especialmente no período Carbonífero. Mas o Praearcturus viveu 50 milhões de anos antes desse período, quando os níveis de oxigênio ainda não eram tão altos. Então, o que explica o tamanho?
Segundo o Museu de História Natural de Londres, a resposta provavelmente está na falta de concorrência. Com poucos outros grandes predadores no ambiente terrestre daquela época, o animal pôde crescer sem pressão. Era como ter um buffet sem fila: muito espaço, muita comida e ninguém para disputar.
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O que essa descoberta muda para a ciência?
Ela mexe com uma ideia antiga: a de que os artrópodes gigantes só surgiram quando a Terra já estava bem habitada e cheia de florestas. O Praearcturus gigas mostra que o gigantismo pode ter aparecido muito antes, em um ambiente ainda vazio e primitivo.
Além disso, a descoberta reforça o valor das coleções de museus. Fósseis guardados há mais de 150 anos no Museu de História Natural de Londres só revelaram sua importância real agora, com técnicas modernas de análise. Como disse o próprio pesquisador Richard Howard, espécimes coletados há um século ainda podem guardar descobertas capazes de mudar o que entendemos sobre a vida na Terra.
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