Cientistas identificam escorpião gigante de mais de um metro, o maior já registrado pela ciência

06.11.2026

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Cientistas identificam escorpião gigante de mais de um metro, o maior já registrado pela ciência
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9 minutos de leitura 20.06.2026 16:53 comentários
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Cientistas identificam escorpião gigante de mais de um metro, o maior já registrado pela ciência

Escorpião gigante de mais de um metro é descoberto

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Cientistas identificam escorpião gigante de mais de um metro, o maior já registrado pela ciência
Cientistas identificam escorpião gigante de mais de um metro, o maior já registrado pela ciência

Fósseis guardados há mais de 150 anos no Museu de História Natural de Londres foram reexaminados e confirmaram a existência do maior escorpião já registrado pela ciência. A espécie, chamada Praearcturus gigas, viveu há cerca de 415 milhões de anos e alcançava mais de 1 metro de comprimento.

O que é o Praearcturus gigas e onde foi encontrado?

O Praearcturus gigas é uma espécie de escorpião primitivo que habitou as planícies aluviais do que hoje é a Inglaterra e o País de Gales durante o Período Devoniano Inicial, há aproximadamente 415 milhões de anos. Os fósseis foram encontrados na Formação St Maughans, na região de Herefordshire e ao longo do País de Gales, uma área rica em sedimentos do chamado Arenito Vermelho Antigo.

O estudo que confirmou a identidade do animal foi publicado em junho de 2026 na revista científica Palaeontology (DOI: 10.1111/pala.70064), com autoria principal do doutor Richard J. Howard, curador de artrópodes fósseis do Museu de História Natural de Londres, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Manchester e da Universidade Tecnológica de Dublin.

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Mais de 1 metro de comprimento O maior escorpião vivo hoje atinge cerca de 23 centímetros. O Praearcturus gigas era mais de quatro vezes maior, tornando-o um dos maiores artrópodes terrestres já registrados pela paleontologia.
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Pinças de mais de 16 centímetros As quelíceras do animal, estruturas usadas para capturar e manipular presas, tinham mais de 16 centímetros de comprimento, indicando que era um predador ativo e dominante no ambiente em que vivia.
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415 milhões de anos de idade O animal viveu no Devoniano Inicial, ao menos 50 milhões de anos antes dos gigantescos milípedes e libélulas do Carbonífero, numa época em que árvores ainda não existiam e os ancestrais dos répteis e mamíferos ainda não tinham saído da água.
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Fósseis no museu há mais de 150 anos Os espécimes foram coletados no século XIX e preservados na coleção do Museu de História Natural de Londres. A nova tecnologia de imagem permitiu reanalisá-los com um nível de detalhe impossível nas décadas anteriores.
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Classificação resolvida após mais de 150 anos de controvérsia Desde 1871, a identidade do animal era disputada entre crustáceo e escorpião. A comparação com o fóssil canadense Eramoscorpius, descrito em 2015, forneceu a evidência anatômica definitiva para confirmar que se trata de um escorpião.

Por que levou mais de 150 anos para confirmar o que esse animal era?

O Praearcturus gigas foi descrito pela primeira vez em 1871 pelo paleontólogo Henry Woodward, que o classificou como um grande crustáceo semelhante a um tatuzinho-de-jardim gigante. Essa interpretação ficou registrada até no nome da espécie: o termo “Arcturus” faz referência a um grupo de crustáceos ainda existente.

Nas décadas de 1980, pesquisadores passaram a suspeitar que os fósseis poderiam pertencer a um escorpião primitivo. Mas a confirmação era impossível: os fragmentos preservados não incluíam a cauda característica dos escorpiões, e sem ela, a classificação permanecia incerta. Segundo o doutor Russell Garwood, paleontólogo da Universidade de Manchester e coautor do estudo, o animal intrigou os especialistas por mais de um século justamente porque os fósseis disponíveis nunca foram suficientes para uma resposta definitiva.

Cientistas identificam escorpião gigante de mais de um metro o maior já registrado pela ciência
Fóssil e reconstrução do maior escorpião conhecido

O que resolveu a controvérsia de classificação?

A virada veio em 2015, quando um escorpião fóssil chamado Eramoscorpius foi descrito a partir de um exemplar canadense muito bem preservado. Esse fóssil mostrava claramente o esterno triangular alongado com um sulco central, uma estrutura anatômica característica dos escorpiões primitivos.

Os pesquisadores verificaram que o Praearcturus gigas possuía exatamente a mesma estrutura. Usando tomografia computadorizada e novas técnicas de imageamento digital, a equipe do Museu de História Natural de Londres e da Universidade de Manchester comparou os fragmentos britânicos com o exemplar canadense e eliminou todas as dúvidas sobre a classificação. A confirmação como escorpião foi possível sem a presença da cauda nos fósseis, algo que antes parecia indispensável.

Comparativo Praearcturus gigas Referência atual
Comprimento totalEstimativa a partir dos fósseis Mais de 1 metro Escorpião atual: até 23 cm
Comprimento das pinçasQuelíceras preservadas nos fósseis Mais de 16 centímetros Muito acima dos atuais
Período geológicoÉpoca em que viveu Devoniano Inicial, 415 milhões de anos atrás 50 mi de anos antes do Carbonífero
Primeira descrição científicaPublicação original 1871, por Henry Woodward (como crustáceo) Confirmado como escorpião em 2026

Por que o animal cresceu tanto numa época tão remota?

Há 415 milhões de anos, a vida terrestre ainda estava nos seus primeiros passos. Não existiam árvores, os ecossistemas em terra eram compostos por plantas pequenas e fungos, e os ancestrais dos répteis, mamíferos e aves ainda não tinham saído da água. O Praearcturus gigas operava num ambiente com pouquíssima competição e praticamente sem predadores de grande porte.

Segundo o doutor Howard, essa ausência de competidores pode ter sido o fator principal que permitiu ao animal atingir tamanhos tão extraordinários. “Sugere que essa espécie pode ter crescido tanto porque não havia outros grandes predadores, o que lhe permitia dominar o ambiente”, declarou ele na nota de imprensa do museu. Os pesquisadores acreditam ainda que o animal provavelmente dividia o tempo entre o ambiente terrestre e a água, já que os ecossistemas em terra da época não eram complexos o suficiente para sustentar um predador desse porte em tempo integral.

O que essa descoberta muda no entendimento da evolução dos escorpiões?

Antes deste estudo, quando se pensava em artrópodes gigantes pré-históricos, as referências mais conhecidas eram o Arthropleura, o milípede gigante do Carbonífero, e as libélulas enormes como as griffinflies, também desse período. Todas essas criaturas viveram ao menos 50 milhões de anos depois do Praearcturus gigas.

A confirmação de que um escorpião atingiu esse porte no Devoniano Inicial muda a linha do tempo da evolução do gigantismo entre os artrópodes terrestres. Segundo o doutor Howard, “confirmar que esse animal é um escorpião muda fundamentalmente nossa compreensão de como e quando essas criaturas evoluíram para tamanhos tão extraordinários”. O estudo também reforça a importância das coleções de museus: espécimes coletados no século XIX, preservados por gerações de pesquisadores, ainda são capazes de gerar descobertas de primeira linha com as ferramentas certas.

Leia também: Chegada de um novo animal coloca Florianópolis em vigilância contra espécie invasora da América do Norte

O que os fósseis revelam sobre o comportamento e a anatomia do animal?

Além do tamanho, os fósseis do Praearcturus gigas encontrados no País de Gales mostram estruturas chamadas epímeros, apêndices semelhantes a nadadeiras encontrados em crustáceos como lagostas e caranguejos. Essa característica sugere que o animal tinha capacidade de se mover na água, reforçando a hipótese de que vivia entre os dois ambientes.

Os pesquisadores estimam que a espécie pode ter sobrevivido por mais de 40 milhões de anos além do período dos fósseis encontrados, antes de desaparecer. O estudo completo está disponível na revista Palaeontology e a nota de imprensa oficial foi publicada pelo Museu de História Natural de Londres, instituição que guarda os fósseis originais em sua coleção.

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