Cientistas celebram marco sem precedentes com extração de DNA de um animal extinto há 130 anos
O tigre-da-tasmânia, ou tilacino, era um marsupial carnívoro nativo da Tasmânia e de partes da Austrália,
O estudo recente sobre o tigre-da-tasmânia reacendeu o interesse pela genética do passado ao analisar, pela primeira vez, moléculas diretamente associadas à atividade celular de um animal extinto, e não apenas seu DNA, ampliando o entendimento sobre tecidos e processos biológicos de uma espécie já desaparecida.
O que é o tigre-da-tasmânia e por que ele simboliza a extinção?
O tigre-da-tasmânia, ou tilacino, era um marsupial carnívoro nativo da Tasmânia e de partes da Austrália, frequentemente citado como símbolo de extinção causada por ação humana.
Foi intensamente caçado, perdeu habitat e entrou em conflito com atividades agropecuárias.
O último registro confirmado de um indivíduo vivo data de 1936, em cativeiro, fato amplamente documentado e usado em campanhas de conscientização ambiental.
Sua anatomia lembrava a de um cão listrado, tornando-o também um modelo para estudos de evolução convergente.
Como o genoma do tilacino se tornou uma ferramenta científica?
Desde o início dos anos 2000, diversos grupos de pesquisa trabalham para recuperar o genoma do tilacino, o que levou ao sequenciamento completo do DNA da espécie. Esse material permitiu reconstruir aspectos de sua biologia, diversidade genética e possíveis adaptações.
O tilacino se tornou referência para comparar marsupiais e mamíferos placentários, como cães e lobos, ajudando a entender como diferentes linhagens podem evoluir formas corporais e funções semelhantes mesmo com histórias evolutivas distintas.
RNA de tigre da Tasmânia extinto é recuperado pela primeira vez
— Blog do Almeida (@BLOGALDOALMEIDA) September 20, 2023
O tigre-da-tasmânia foi uma espécie de marsupial carnívoro nativo da Tasmânia, na Austrália extinto no século XX. Cientistas estão tentando recriar a espécie.
🎥 Benjamin, o último tigre-da-tasmânia em 1935. pic.twitter.com/MPiYdxPo8C
Como o estudo foi além do DNA e analisou o RNA antigo?
A pesquisa sueca analisou também o RNA antigo preservado em pele e músculo do tigre-da-tasmânia, revelando quais genes estavam ativos nesses tecidos.
Isso ofereceu uma visão funcional do organismo, indicando processos celulares em andamento quando o animal estava vivo.
Para garantir que o RNA era do tilacino e não de contaminantes modernos, o grupo usou laboratórios especializados, protocolos rígidos de controle e técnicas de metatranscriptômica, além de padrões de dano compatíveis com material antigo.
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Quais foram as descobertas sobre atividade celular e microRNAs?
Nos fragmentos de músculo, surgiram genes ligados à contração e uso de energia, enquanto na pele prevaleceram genes de produção de queratina e vestígios de RNA relacionado à hemoglobina, sugerindo presença de sangue no preparo do espécime.
Isso mostrou que a fisiologia do tigre-da-tasmânia pode ser estudada com mais detalhe.
Os pesquisadores destacaram também a recuperação de microRNAs, pequenas moléculas reguladoras que controlam a produção de proteínas, ampliando o catálogo conhecido da espécie e revelando variantes possivelmente exclusivas desse marsupial.
- Melhoria da anotação do genoma do tilacino.
- Compreensão de como genes eram ligados e desligados em diferentes tecidos.
- Comparações mais robustas com outros marsupiais e mamíferos placentários.
- Detecção de sinais de antigos vírus de RNA em tecidos preservados.
Que novos caminhos se abrem para o estudo de espécies extintas?
A recuperação de RNA em um animal extinto indica que coleções de museus podem guardar dados sobre atividade celular, expressão gênica e patógenos antigos.
Espécies desaparecidas recentemente, preservadas a seco e à temperatura ambiente, tornam-se candidatas a análises semelhantes.
Esses avanços permitem refinar o entendimento sobre respostas fisiológicas a mudanças ambientais, comparar espécies extintas com ameaçadas atuais e alimentar debates sobre desextinção e biotecnologia, valorizando as coleções históricas como arquivos biológicos únicos.
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