Cientistas britânicos colocam blocos de 6 toneladas com 4.000 ostras para restaurar recifes perdidos na costa da Inglaterra
O coração do projeto são “cubos de recife de ostras” de cerca de 6 toneladas, posicionados em área de forte ação de correntes e tempestades.
Na costa nordeste da Inglaterra, um experimento de restauração ecológica vem transformando um trecho do mar em laboratório a céu aberto ao combinar engenharia civil, biologia marinha e planejamento costeiro para reconstruir recifes de ostras desaparecidos há mais de um século como forma de infraestrutura viva capaz de recuperar funções naturais do oceano.
O que são os novos recifes de ostras na costa inglesa
A região testa um modelo de engenharia ecológica baseado em grandes blocos de concreto especial que servem de base para a recuperação de recifes de ostras nativas.
Com mais de 95% desses habitats perdidos na Europa, o projeto busca criar uma solução replicável que una proteção costeira, biodiversidade e mitigação climática.
Esses recifes artificiais atuam como plataformas de vida para inúmeras espécies e como barreiras naturais contra ondas e erosão.
A iniciativa pretende demonstrar como a infraestrutura construída pode ser desenhada para apoiar processos ecológicos em vez de apenas resistir às forças do mar.
Como funcionam os cubos de recife e os materiais utilizados
O coração do projeto são “cubos de recife de ostras” de cerca de 6 toneladas, posicionados em área de forte ação de correntes e tempestades.
Suas superfícies rugosas e cheias de cavidades imitam a complexidade física de recifes naturais, oferecendo abrigo para larvas, peixes juvenis e invertebrados.
Para reduzir o impacto climático, parte das estruturas usa materiais alternativos ao cimento tradicional, como o Marine Crete, formulado para diminuir emissões de carbono.
Assim, a restauração marinha é planejada considerando tanto a recuperação ecológica quanto a descarbonização das obras costeiras.
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Deploying Marine Reef Cubes to help grow artificial reefs. 🪸🐠 pic.twitter.com/PJK9rtyy04
— HOW THINGS WORK (@HowThingsWork_) February 11, 2026
Por que os recifes de ostras são infraestrutura viva
As ostras nativas são tratadas como infraestrutura viva porque cada indivíduo adulto filtra grandes volumes de água por dia, removendo partículas e aumentando a transparência.
Isso favorece algas, plantas marinhas e organismos que dependem de maior entrada de luz, contribuindo para um ecossistema mais estável.
Além disso, os recifes ajudam a dissipar energia das ondas, reduzir erosão e estabilizar sedimentos, apoiando ecossistemas de carbono azul.
Entre as principais funções ecológicas e costeiras das ostras, destacam-se:
Recifes de Ostras: Infraestrutura Viva
Atuam como filtros naturais, elevando drasticamente a qualidade e a transparência do ecossistema marinho.
Servem como base física e abrigo seguro, permitindo a fixação e o desenvolvimento de diversas espécies.
Barreiras naturais que dissipam a energia das ondas, combatendo a erosão e protegendo o litoral.
Fomentam o crescimento de habitats que capturam e armazenam carbono, auxiliando no equilíbrio climático.
Quais lições vieram das falhas anteriores na restauração
Em 2023, um projeto anterior espalhou ostras e conchas soltas no fundo do mar, mas a tempestade Babet dispersou o material em poucas semanas.
A experiência mostrou que, em áreas de alta energia de ondas, a restauração precisa de estruturas físicas robustas para ancorar o habitat criado.
Na abordagem atual, as ostras são limpas para evitar invasoras, fixadas com adesivos submarinos nos blocos de concreto e combinadas com mais de 35 mil indivíduos juvenis e cerca de 40 toneladas de conchas, formando o cultch.
O processo inclui seleção participativa da área, instalação e monitoramento contínuo para ajustes adaptativos.
Como o projeto contribui para adaptação costeira e clima
O experimento integra um programa britânico de adaptação costeira que vê a restauração de ecossistemas como infraestrutura natural estratégica contra inundações e erosão.
Ao melhorar a qualidade da água, os recifes também ajudam a mitigar episódios de eutrofização em zonas costeiras pressionadas por nutrientes.
Esse tipo de solução baseada na natureza passa a ser incorporado ao planejamento territorial, à gestão pesqueira e às estratégias climáticas.
A costa inglesa onde os blocos foram instalados torna-se referência para mostrar como infraestrutura viva pode complementar obras tradicionais em um cenário de rápidas mudanças nos oceanos até e além de 2026.
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