Cidade gaúcha construída sobre túneis de ametista transforma antigas minas em restaurantes, igrejas de cristais e turismo subterrâneo
A cidade gaúcha mostra como antigas galerias de garimpo, cristais roxos e atrações subterrâneas criaram um destino único no Brasil
Existe uma cidade no Brasil que parece ter saído de um filme de fantasia. Por fora, ruas tranquilas de interior. Por dentro, dezenas de quilômetros de túneis escavados em busca de um tesouro roxo. Ametista do Sul, no Rio Grande do Sul, é literalmente uma cidade construída em cima de uma rocha cheia de cristais, e essa combinação rara entre mineração e turismo está conquistando viajantes de todo o país.
Por que essa cidade é considerada a capital mundial da ametista
O município fica a cerca de 440 quilômetros de Porto Alegre, mas o acesso mais prático costuma ser por Chapecó, em Santa Catarina, a apenas 90 quilômetros de distância. O nome da cidade não é coincidência: a região concentra grandes minas de ametista, pedra roxa que se tornou o símbolo absoluto do lugar.
A ametista influencia praticamente tudo por ali, da economia à arquitetura religiosa, passando pelo comércio e até pela gastronomia local. É raro encontrar uma cidade onde um único mineral defina de forma tão forte a identidade de todo um território.

Como a ametista foi descoberta na região
A história começou de forma quase acidental. Entre as décadas de 1950 e 1960, agricultores que trabalhavam a terra com arado encontraram fragmentos da pedra nas bordas das montanhas, sem imaginar o valor que aquilo teria no futuro.
No início, os pedaços eram usados apenas como decoração em jardins e entradas de casas. Com o tempo, o brilho e o potencial comercial da pedra despertaram interesse, dando origem a uma verdadeira economia baseada na extração mineral.
O que existe debaixo da cidade
O dado mais impressionante sobre Ametista do Sul talvez seja o que está embaixo do asfalto. Mais de 70% dos garimpos estariam dentro do próprio perímetro urbano, e o subsolo da cidade teria cerca de 60 quilômetros de galerias escavadas.
Um dos moradores entrevistados compara a estrutura subterrânea a um queijo suíço, repleto de espaços vazios. Para entender melhor como essa cidade dupla funciona na prática, vale destacar alguns pontos:
- Minas desativadas costumam ser fechadas ou reaproveitadas para o turismo
- Áreas de sustentação importantes são preservadas por questões de segurança
- Antigas galerias hoje abrigam restaurantes, museus e até uma cervejaria
- A estrutura subterrânea é fiscalizada para evitar riscos à população
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Rolê Família mostrando a “cidade dentro da rocha”.
Como é a rotina de quem trabalha no garimpo
O processo de extração começa com pequenas perfurações e explosões controladas para localizar os geodos, cavidades de basalto que escondem os cristais de ametista em seu interior. Depois, os garimpeiros avaliam cor, formação e tamanho da pedra com cuidado extremo.
O trabalho é pesado e exige atenção total: uma pedra inteira pode valer o dobro de uma peça quebrada. Hoje, com perfuração feita com água, uso de máscaras e equipamentos de proteção, a atividade se tornou mais segura do que era no passado, quando o risco de doenças pulmonares era muito mais alto.
Por que essa cidade roxa merece estar no seu próximo roteiro
Pense em comer em um restaurante dentro de uma mina, nadar em uma piscina subterrânea, provar uma cerveja produzida a 50 metros de profundidade e ainda visitar uma igreja com mais de 40 toneladas de ametista nas paredes. Não existe outro lugar no Brasil que ofereça essa combinação tão única de experiências.
Ametista do Sul prova que uma cidade pode reinventar sua própria história, transformando túneis de garimpo em atrativos turísticos e mantendo viva a memória de quem passou décadas trabalhando debaixo da terra. Se você procura um destino diferente de tudo que já viu, essa cidade dentro de uma rocha está esperando para ser descoberta.
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