Ciberataques a supermercados chegam a 11 países europeus
UE vê possível ação deliberada contra abastecimento de alimentos; nenhum grupo assumiu autoria e não há pedido de resgate
Falhas nos sistemas de refrigeração de supermercados, atribuídas a ataques cibernéticos, atingiram na terça-feira, 3, Alemanha, Reino Unido e Romênia e elevaram para ao menos 11 o número de países europeus afetados.
A União Europeia avalia que os episódios podem integrar uma tentativa deliberada de interromper o abastecimento de comida no bloco.
Na mesma semana, houve registros na Suécia, na Irlanda, na Holanda, na Estônia, na Finlândia, na Bélgica e em Luxemburgo. Em outubro, centenas de lojas na França já haviam descartado produtos perecíveis por falhas semelhantes.
Resposta das autoridades
O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que agências do bloco conversam com órgãos nacionais para montar uma resposta coordenada: “Não se trata de incidentes isolados e, naturalmente, precisamos estar coletivamente preparados e resilientes diante desse tipo de ocorrência cibernética”.
No Reino Unido, o diretor do Centro Nacional de Segurança Cibernética, Richard Horne, declarou à BBC que o problema atingiu “toda a cadeia de abastecimento alimentar”. Segundo ele, “tecnologias vulneráveis foram exploradas”, e equipes avisaram durante a noite as empresas sob risco.
Efeitos por país
A Bélgica está entre os mais atingidos: dezenas de lojas de várias redes tiveram falhas, e o Ministério Público federal abriu investigação. Na Alemanha, quatro supermercados foram afetados; na Romênia, seis.
Na Itália, os primeiros relatos apontavam 20 estabelecimentos. O governo convocou reuniões de emergência com os chefes dos serviços de inteligência, e as autoridades descreveram o impacto como “extremamente limitado”, restrito a lojas com sistemas de segurança desatualizados.
Giuseppe Spadaro, diretor de um grupo que administra unidades da rede Coop na Sicília, contou que quatro das 300 lojas foram atingidas: “Estimamos os prejuízos em vários milhares de euros. Tivemos de descartar tudo. As prateleiras estão vazias”, disse ao jornal Corriere della Sera.
Autoria e motivação
Ninguém assumiu os ataques. Dan Cimpean, chefe da Diretoria Nacional de Cibersegurança da Romênia, descartou a participação de agentes estatais e classificou a ação como “semiamador”. Katrien Eggers, do Centro de Cibersegurança da Bélgica, disse que “não se sabe quem está por trás deste ataque, e talvez isso nunca seja determinado”.
A ausência de exigências financeiras leva observadores a ver indício de sabotagem. O varejo, dizem, é alvo acessível por operar sistemas complexos, conectados à internet e controlados à distância.
O caso aumenta a atenção europeia às chamadas ameaças híbridas contra infraestrutura crítica, tema recorrente desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
Em outubro, o ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, afirmou que o país é alvo diário de “uma guerra híbrida”. Moscou nega envolvimento em operações de sabotagem.
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