China e Rússia reagem a ‘Domo de Ouro’ de Trump
Para Pequim, o projeto anunciado pelo presidente dos EUA representa uma "ameaça à estabilidade global"
A China e a Rússia reagiram nesta quarta-feira, 21, ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a criação de um novo sistema de defesa antimísseis, batizado de “Domo de Ouro”. Avaliado em US$ 175 bilhões (quase R$ 1 trilhão), o projeto é inspirado no Domo de Ferro israelense e foi apresentado pelo republicano no dia anterior, no Salão Oval da Casa Branca.
Pequim criticou o plano e afirmou que o projeto representa uma “ameaça à estabilidade global”.
“A China expressa séria preocupação. O sistema prejudica o equilíbrio estratégico e alimenta uma corrida armamentista”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. Segundo ela, os EUA buscam “segurança absoluta às custas dos outros”.
Moscou, que anteriormente classificava a ideia como “profundamente desestabilizadora”, moderou o tom nesta quarta-feira.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reconheceu que o projeto é uma “questão de soberania” dos EUA, mas disse que o desenvolvimento do Domo de Ouro exigirá, no futuro próximo, a retomada de contatos bilaterais para restaurar a estabilidade estratégica.
“Esses contatos devem ser recriados no interesse da segurança global”, afirmou.
O que é o Domo de Ouro?
O plano prevê um sistema capaz de interceptar mísseis lançados de qualquer parte do mundo — ou até mesmo do espaço.
Trump afirmou que a defesa estará operacional até o fim de seu mandato e será liderada pelo general Michael Guetlein, da Força Espacial dos EUA.
Segundo o Pentágono, o sistema deve proteger o território americano contra mísseis de cruzeiro, balísticos, hipersônicos, drones e ameaças nucleares.
Trump também revelou que o Canadá demonstrou interesse em integrar a iniciativa. A promessa de construir um escudo antimísseis de última geração já havia sido feita durante a campanha eleitoral de Trump.
O sistema é inspirado no modelo israelense em operação desde 2011, com taxa de interceptação de cerca de 90%, segundo a empresa Rafael, que ajudou no desenvolvimento. Na época do decreto, Rússia e China compararam o projeto ao programa “Guerra nas Estrelas”, da era Reagan, durante a Guerra Fria.
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