China é acusada de treinar tropas russas em sigilo
Alemanha convoca diplomata e exige esclarecimentos após reportagens ligarem Pequim a militares enviados à Ucrânia
O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha chamou nesta sexta-feira, 3, o embaixador da China, Deng Hongbo, a um encontro emergencial em Berlim.
Um porta-voz da pasta confirmou o chamado à imprensa, validando informações publicadas pela revista Der Spiegel. Forças militares chinesas teriam capacitado, em sigilo, centenas de soldados russos para atuar no conflito contra a Ucrânia, com destaque para o manejo de drones.
Governo alemão fala em ameaça à segurança
Segundo o Ministério das Relações Exteriores alemão, a Rússia segue sendo o principal risco à estabilidade da região euro-atlântica, avaliação já defendida publicamente pelo governo em ocasiões anteriores. A pasta classificou os relatos sobre o treinamento como motivo de forte preocupação.
Em nota, o ministério declarou que “qualquer coisa que permita à Rússia continuar sua guerra contra a Ucrânia também representa uma ameaça à nossa segurança”. O texto acrescenta que “o apoio crucial e crescente da China à brutal guerra de agressão da Rússia afeta, portanto, diretamente nossa segurança”.
O tema já havia sido tratado pessoalmente pelo chanceler federal Friedrich Merz com o presidente chinês Xi Jinping, durante viagem à China em fevereiro deste ano. Pequim nega qualquer apoio militar a Moscou e mantém o discurso de neutralidade no conflito.
Documentos apontam cursos sobre drones e guerra eletrônica
De acordo com a reportagem, agências de inteligência europeias, a Reuters e o jornal Die Welt tiveram acesso a documentos que indicam a realização de programas de capacitação pelo Exército de Libertação Popular chinês em diferentes localidades, reunindo centenas de militares russos.
Os cursos abrangeram sistemas não tripulados, guerra eletrônica e simulações de combate, combinando treinamento virtual e prático — incluindo instrução sobre operação de drones em espaços fechados.
Registros fotográficos mostram russos recebendo orientação de instrutores chineses e participando de módulos sobre reconhecimento químico e radiológico, além de proteção de sistemas de ventilação contra contaminação. Parte dos soldados capacitados passou a atuar no front ucraniano a partir do início de 2026, alguns em posições de comando, incluindo especialistas em drones.
Acordo teria sido assinado em 2025
A cooperação militar entre os dois países teria sido formalizada por meio de um acordo bilateral firmado em Pequim em 2 de julho de 2025, com aval de autoridades de alta patente russas e chinesas, incluindo o ministro da Defesa russo.
O documento previa sigilo total, vetando qualquer divulgação pela imprensa, e estabelecia reciprocidade: militares chineses também teriam recebido instrução na Rússia, em áreas como forças blindadas, artilharia, engenharia e defesa aérea.
As denúncias tendem a intensificar a pressão europeia sobre o governo chinês. A União Europeia já sancionou empresas da China acusadas de fornecer insumos ligados ao esforço bélico russo e avalia novas medidas em resposta às informações sobre os treinamentos.
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