China desafia os Estados Unidos lançando um novo sistema de pagamento digital, desafiando a hegemonia do dólar no comércio global

02.10.2026

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China desafia os Estados Unidos lançando um novo sistema de pagamento digital, desafiando a hegemonia do dólar no comércio global
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Redação O Antagonista
9 minutos de leitura 28.06.2026 18:43 comentários
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China desafia os Estados Unidos lançando um novo sistema de pagamento digital, desafiando a hegemonia do dólar no comércio global

Sistemas de pagamentos digitais da China miram a supremacia do dólar

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China desafia os Estados Unidos lançando um novo sistema de pagamento digital, desafiando a hegemonia do dólar no comércio global
A China desafia os Estados Unidos lançando um novo sistema de pagamento digital, desafiando a hegemonia do dólar no comércio global

Pequim está prestes a colocar no mercado o mBridge, uma rede de pagamentos internacionais criada sobre blockchain que permite acertos diretos entre bancos centrais usando moedas digitais nacionais. A proposta elimina o dólar como moeda de passagem em determinadas transações globais. A plataforma já movimentou o equivalente a US$ 69 bilhões e promete cobrar cerca de metade do custo praticado hoje pelo SWIFT.

O que é o mBridge e como ele funciona na prática?

O mBridge é uma espécie de trilho financeiro digital montado sobre tecnologia de registro distribuído (DLT), arquitetura parecida com a usada em redes blockchain. Em vez de uma remessa internacional passar por várias camadas bancárias e, muitas vezes, pelo dólar, como ocorre em operações conectadas ao SWIFT, a plataforma permite que bancos centrais façam a liquidação diretamente em suas próprias moedas digitais.

A mudança central está no encurtamento do caminho do dinheiro. Uma transferência internacional tradicional pode depender de bancos correspondentes, mensagens intermediárias e prazos de compensação que se arrastam por dias. No mBridge, a promessa é resolver a operação em segundos, com tarifa próxima de metade das taxas cobradas nos modelos convencionais. O primeiro público mirado são pequenas e médias empresas que hoje veem pagamentos internacionais como caros, lentos e pouco acessíveis.

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Cinco autoridades monetárias no projeto China continental, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita formam o núcleo atual. O grupo une uma potência industrial, um centro financeiro global, uma economia estratégica do Sudeste Asiático e dois grandes nomes do mercado mundial de petróleo.
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US$ 69 bilhões em operações registradas A plataforma já somou cerca de 470 bilhões de yuans, perto de US$ 69 bilhões, em transações. O volume mostra que o sistema deixou de ser apenas uma experiência de laboratório e passou a operar em escala relevante.
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Pagamentos quase imediatos e mais baratos A principal vitrine do mBridge é a liquidação quase instantânea, com custos estimados em cerca de metade dos sistemas tradicionais. A aposta é alcançar empresas que precisam negociar fora do país, mas evitam o processo por causa das tarifas.
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Hong Kong como base operacional A fase comercial deve ser conduzida por uma entidade jurídica própria sediada em Hong Kong. A escolha aproveita o peso da cidade como ponte financeira entre a China continental e o mercado global.
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Saída do BIS mudou o peso político O Banco de Compensações Internacionais participou da construção inicial, mas repassou a condução aos países membros em 2024. Segundo o Financial Times, a decisão ocorreu em meio à pressão de Washington, que teme o uso da plataforma para escapar de sanções.

Qual é a relação entre o mBridge, o yuan digital e o CIPS?

A estratégia chinesa para ampliar o alcance do yuan funciona em três frentes. O CIPS (Cross-Border Interbank Payment System), lançado em 2015, é a infraestrutura voltada a pagamentos tradicionais em renminbi. Ele funciona como um canal de mensagens e liquidações em yuan, ocupando papel parecido ao do SWIFT dentro das operações ligadas à moeda chinesa. Em 2024, reunia mais de 1.300 instituições financeiras em mais de 100 países.

O e-CNY, conhecido como yuan digital, é a moeda digital emitida pelo banco central da China e testada desde 2020 em várias regiões do país. Em janeiro de 2026, as transações acumuladas com e-CNY passaram de US$ 2 trilhões. O mBridge entra como a peça que liga moedas digitais de diferentes bancos centrais em uma mesma rede. Assim, o yuan digital pode circular em pagamentos internacionais sem depender dos caminhos bancários tradicionais. CIPS, e-CNY e mBridge atuam como partes de uma mesma engrenagem.

A China desafia os Estados Unidos lançando um novo sistema de pagamento digital, desafiando a hegemonia do dólar no comércio global
Pagamentos digitais conectam bancos centrais

De onde veio o mBridge e qual é seu histórico?

A origem do projeto não começou diretamente em Pequim, mas em uma iniciativa entre a Autoridade Monetária de Hong Kong e o Banco da Tailândia, chamada Inthanon-LionRock. Em 2021, o BIS e os bancos centrais da China, dos Emirados Árabes Unidos e da Tailândia entraram na iniciativa, que passou a se chamar mBridge. A Arábia Saudita aderiu em 2024, ano em que o BIS deixou a condução do projeto nas mãos dos países participantes.

Um episódio deu força simbólica à plataforma. Em 2024, o xeique Mansour Bin Zayed Al Nahyan, presidente do conselho do banco central dos Emirados Árabes Unidos, enviou 50 milhões de dirhams digitais, cerca de US$ 13,6 milhões, diretamente à China usando o mBridge. A operação virou um marco por mostrar uma transferência transfronteiriça de grande porte sem seguir o caminho financeiro tradicional. Também reforçou o papel dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, dois atores decisivos no petróleo e nas reservas internacionais em dólar.

Sistema Função Status
SWIFT Rede global dominante de mensagens financeiras Canal de comunicação para pagamentos internacionais; mais de 11.000 instituições em 200 países Dominante — 95% do comércio global
CIPS Cross-Border Interbank Payment System — China, desde 2015 Infraestrutura de liquidação em yuan para mais de 1.300 instituições em mais de 100 países Operacional e em expansão
e-CNY Yuan digital — moeda emitida pelo banco central chinês Pagamentos digitais em yuan dentro e fora da China; US$ 2 trilhões em transações acumuladas Em expansão internacional
mBridge Rede multi-CBDC baseada em blockchain e liderada pela China Liquidações diretas entre bancos centrais com moedas digitais; US$ 69 bi já movimentados Lançamento comercial iminente

O mBridge realmente ameaça o dólar como moeda global?

A leitura do Atlantic Council, publicada em janeiro de 2026, é mais cautelosa do que a manchete sugere. O mBridge não parece capaz de derrubar a liderança do dólar de forma rápida, mas pode abrir brechas em partes específicas do comércio global. A escala ainda é muito desigual: o SWIFT movimenta cerca de US$ 5 trilhões por dia e conecta mais de 11.000 instituições em 200 países. O mBridge, por enquanto, atua em poucos territórios e soma US$ 69 bilhões em transações acumuladas.

O ponto mais importante não é uma troca imediata de sistema, e sim a criação de caminhos alternativos. Em rotas comerciais específicas, esses novos trilhos podem diminuir a dependência de redes financeiras ancoradas no dólar. Ainda assim, o yuan representa menos de 4,5% das reservas internacionais globais, enquanto o dólar segue perto de 58%. Para virar uma ameaça estrutural, o mBridge precisaria atrair muito mais países, inclusive economias próximas dos Estados Unidos, que hoje tendem a evitar a plataforma por pressão de Washington.

Quais são os riscos e as críticas que o projeto enfrenta?

A maior preocupação dos americanos é o possível uso do mBridge para reduzir o alcance das sanções financeiras. Como a plataforma dispensa bancos correspondentes dos Estados Unidos em determinadas operações, ela retira um ponto de controle importante usado por Washington para aplicar restrições contra governos, empresas e instituições sancionadas.

O Banco Popular da China e o BIS sustentam que o mBridge segue regras antilavagem de dinheiro do GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional). Mesmo assim, a saída do BIS em 2024, descrita pelo Financial Times como resultado de pressão americana, deixou claro que o projeto carrega uma disputa geopolítica sensível. Com a chegada da fase comercial, a plataforma deve deixar de ser apenas um experimento de banco central e passar a testar, na prática, os limites do sistema global de pagamentos.

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