China condena à prisão perpétua bilionário fundador e ex-presidente da Evergrande
A decisão encerra um dos capítulos mais impressionantes da crise imobiliária chinesa.
O que parecia ser o fim de uma das maiores histórias de sucesso do mercado imobiliário chinês terminou de forma dramática. Hui Ka Yan, fundador e ex-presidente da Evergrande, foi condenado à prisão perpétua por um tribunal de Shenzhen, na China, além de perder todos os seus bens pessoais e os direitos políticos.
A decisão encerra um dos capítulos mais impressionantes da crise imobiliária chinesa.
Por que Hui Ka Yan recebeu prisão perpétua?
O tribunal considerou Hui responsável por crimes financeiros praticados entre 2016 e 2021, período em que a Evergrande acumulou dívidas gigantescas e utilizou mecanismos para contornar restrições ao endividamento. Ele se declarou culpado das acusações em abril.
A sentença também determinou a confiscação de todos os seus bens pessoais e a perda permanente de seus direitos políticos. A Evergrande e uma de suas principais subsidiárias ainda receberam multas que somam cerca de US$ 2,35 bilhões.
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Cadena perpetua para el fundador del gigante inmobiliario chino Evergrande
— DW Español (@dw_espanol) August 21, 2026
El fundador del gigante inmobiliario chino Evergrande, Hui Ka Yan, fue condenado a cadena perpetua por un tribunal de Shenzhen, que además ordenó confiscar todos sus bienes personales. Hui se había… pic.twitter.com/o5XQyBWmyD
Como a queda da Evergrande abalou a China?
A dimensão do colapso ajuda a explicar a dureza da sentença.
No momento de sua crise, a Evergrande acumulava mais de US$ 300 bilhões em dívidas, tornando-se um dos maiores símbolos dos riscos provocados pelo excesso de crédito no setor imobiliário chinês.
Para entender o tamanho do império que desmoronou, alguns números chamam especialmente a atenção:
Como Hui passou da riqueza extrema à prisão?
Hui nasceu em uma região rural da província de Henan e trabalhou como técnico siderúrgico antes de criar a Evergrande, em 1996. A empresa cresceu junto com a rápida urbanização chinesa e posteriormente expandiu seus negócios para áreas como futebol e veículos elétricos.
Em 2017, sua fortuna chegou a uma estimativa de US$ 45,3 bilhões, tornando-o o homem mais rico da Ásia naquele momento, segundo a Forbes. Anos depois, porém, a expansão financiada por dívidas ajudaria a transformar seu império em um dos maiores colapsos corporativos da China.
Confira a condenação de Hui Ka Yan, fundador e ex-presidente da Evergrande, no vídeo abaixo do canal “DW News“.
O que aconteceu quando a Evergrande entrou em colapso?
A crise ganhou força quando Pequim passou a limitar o nível de endividamento das incorporadoras. Para uma empresa altamente alavancada como a Evergrande, as novas regras dificultaram o acesso ao dinheiro necessário para manter seus projetos e compromissos.
A situação piorou rapidamente. Houve protestos de compradores de imóveis, bancos chegaram a apreender cerca de US$ 2 bilhões, e uma investigação identificou mecanismos usados por executivos para driblar as restrições ao crédito.

A sentença de prisão perpétua encerra a história de um dos maiores impérios imobiliários da China?
Ainda há consequências além da condenação de Hui. Um tribunal de Hong Kong determinou a liquidação da Evergrande em 2024, enquanto outros dois tribunais de Shenzhen condenaram 56 pessoas, incluindo dois filhos de Hui, a penas que variaram de 22 meses a 18 anos de prisão.
A queda da empresa também deixou uma marca profunda no mercado imobiliário chinês. O caso expôs a dependência da economia em relação ao setor e ajudou a prolongar uma crise que continuou afetando compradores, empresas e investidores.
De homem com uma fortuna de dezenas de bilhões de dólares a condenado à prisão perpétua: a trajetória de Hui Ka Yan se tornou um dos exemplos mais extremos dos riscos de um império construído sobre uma montanha de dívidas.
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