"China apoia Rússia e Coréia do Norte sem medo de desafiar o Ocidente", diz jornalista ucraniano

25.06.2026

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“China apoia Rússia e Coréia do Norte sem medo de desafiar o Ocidente”, diz jornalista ucraniano

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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 08.09.2025 07:28 comentários
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“China apoia Rússia e Coréia do Norte sem medo de desafiar o Ocidente”, diz jornalista ucraniano

Artigo no Wall Street Journal revela como Xi Jinping usa Rússia e Coreia do Norte para testar limites do poder dos EUA e da Europa

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“China apoia Rússia e Coréia do Norte sem medo de desafiar o Ocidente”, diz jornalista ucraniano
Putin, Modi e Xi Jingping. Reprodução/redes sociais

O jornalista ucraniano Yaroslav Trofimov publicou neste domingo, 7, um artigo intitulado “China Shows Unity With Russia and North Korea, but Divisions Linger” (“A China mostra unidade com Rússia e Coreia do Norte, mas divisões permanecem”) no Wall Street Journal.

O texto analisa os riscos e limites da aproximação entre Pequim, Moscou e Pyongyang, tendo como ponto de partida o desfile militar em Pequim, marcado por mísseis balísticos e pela presença de Vladimir Putin e Kim Jong Un ao lado de Xi Jinping.

“Xi exibiu abertamente os vínculos crescentes com Moscou e Pyongyang, ambos sancionados pelo Ocidente, ambos em guerra contra a Ucrânia e ambos potencialmente úteis à China num possível conflito com os EUA.” Segundo Trofimov, a encenação foi um recado de que Pequim já não teme as consequências de se alinhar a regimes considerados párias.

Apesar das demonstrações públicas de unidade, o alinhamento ainda não é uma aliança formal. “A China é muito cautelosa ao trabalhar com esses dois países. Ela não está no mesmo campo”, disse Tang Xiaoyang, da Universidade Tsinghua. A prioridade de Pequim, afirma ele, continua sendo a estabilidade em suas fronteiras.

A distância ideológica, no entanto, está diminuindo. “A China está se tornando menos discreta ao ser vista como parte do chamado eixo da perturbação”, afirma Tong Zhao, da Carnegie China.

O aumento da competição com Washington acelerou a ambição de Xi de apresentar uma “iniciativa de governança global” que substitua a ordem liderada pelos EUA.

Para o professor Wang Dong, da Universidade de Pequim, “a hegemonia americana está chegando ao fim, goste-se ou não”. Mas limites persistem.

“Somos bons amigos, bons parceiros, mas nunca seremos aliados”, disse Wu Xinbo, da Universidade Fudan, descartando que Moscou ajudaria a China em um eventual conflito sobre Taiwan.

Pequim insiste que não fornece armas a Moscou nem reconhece a anexação de territórios ucranianos. Mas a simbologia do desfile falou mais alto. “A presença de Kim enviou uma mensagem de que a China realmente apoia Putin e a guerra da Rússia na Ucrânia”, disse Steve Tsang, da Universidade de Londres. Ele chamou o gesto de um “dedo do meio” ao Ocidente democrático.

O apoio também aparece nos bastidores militares. Segundo autoridades ocidentais, a China permite que Pyongyang envie tropas para a Ucrânia em troca de modernização de seu arsenal. Isso poderia fortalecer Pequim em caso de um conflito contra os EUA e aliados.

Já a parceria econômica com a Rússia é decisiva. “Quase toda exportação russa é petróleo, gás e matérias-primas, enquanto a China fornece produtos industriais, inclusive componentes indispensáveis para a indústria militar russa.” Mesmo com queda de 8% no comércio em 2025, o volume continua acima de US$ 200 bilhões anuais.

O custo é crescente. “É muito infeliz que as relações entre China e Europa estejam sendo mantidas como reféns dessa guerra”, disse Da Wei, também da Tsinghua. A relação com países europeus, cruciais em tecnologia e investimentos, é prejudicada pelo apoio a Moscou.

Dentro da China, alguns acadêmicos ainda se arriscam a criticar. Shi Yinhong, da Universidade Renmin, alertou: “Um passivo vem do cara que continua sua guerra na Europa, e outro do que há anos intensifica seu programa nuclear, contra todas as resoluções da ONU.”

Ele acrescenta que uma vitória russa seria até mais perigosa para Pequim. “Se a Rússia vencer, dependerá menos da economia chinesa e poderá até se reaproximar de Washington, especialmente se os republicanos permanecerem na Casa Branca com Trump.”

A memória histórica também pesa. “A Rússia tomou a maior parte de terras da China durante a dinastia Qing. Na história moderna, a China sofreu principalmente com dois países — Rússia e Japão”, lembrou Wu Xinbo. Mas o discurso oficial é olhar para frente. “Sabemos o que aconteceu, mas queremos focar no futuro”, disse Victor Gao, do Centro para China e Globalização.

O artigo mostra que a aproximação entre China, Rússia e Coreia do Norte não é plena, mas está cada vez mais funcional para a estratégia de Xi Jinping de se afirmar como contrapeso à ordem ocidental em crise.

Quem é Yaroslav Trofimov

Yaroslav Trofimov é jornalista ucraniano, colunista-chefe de assuntos internacionais do Wall Street Journal e finalista do Prêmio Pulitzer.

Cobriu conflitos no Oriente Médio, Ásia e Europa Oriental. É autor de livros sobre política internacional e guerras religiosas, reconhecido por sua análise profunda das mudanças na ordem mundial.

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