Chimpanzé Ai, que reconheceu mais de 100 caracteres chineses e o alfabeto inglês, morre aos 49 anos

13.01.2026

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Chimpanzé Ai, que reconheceu mais de 100 caracteres chineses e o alfabeto inglês, morre aos 49 anos

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Chimpanzé Ai, que reconheceu mais de 100 caracteres chineses e o alfabeto inglês, morre aos 49 anos

O anúncio da morte da chimpanzé Ai reacendeu o interesse público pela inteligência dos primatas e pelos modos como esses animais aprendem

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Chimpanzé Ai, que reconheceu mais de 100 caracteres chineses e o alfabeto inglês, morre aos 49 anos
Ai, o chimpanzé que reconheceu mais de 100 caracteres chineses e o alfabeto inglês, morre aos 49 anos. Créditos: depositphotos.com / davemhuntphoto

O anúncio da morte da chimpanzé Ai reacendeu o interesse público pela inteligência dos primatas e pelos modos como esses animais aprendem, memorizam e interagem com símbolos, transformando sua trajetória, estudada por décadas na Universidade de Kyoto, em um caso emblemático sobre a complexidade da mente dos chimpanzés.

O que os estudos com Ai revelam sobre a inteligência dos primatas

A inteligência dos primatas é entendida como capacidade de aprender, recordar, resolver problemas e utilizar símbolos em diferentes situações controladas.

No caso do chimpanzé Ai, experimentos mostraram que ela reconhecia mais de uma centena de caracteres, o alfabeto latino, números arábicos de zero a nove e várias cores distintas.

Esses resultados indicam que chimpanzés lidam com representações abstratas, indo além do simples condicionamento por recompensa.

Em tarefas que associavam símbolos visuais a cores, como escolher o quadrado rosa ao ver um caractere específico, Ai demonstrou memória de trabalho, comparação e tomada de decisão, reforçando a ideia de que sua cognição envolve processos simbólicos básicos.

Como os pesquisadores testam a inteligência dos primatas

Para investigar a inteligência dos primatas, laboratórios especializados combinam tarefas visuais, testes de memória e desafios de resolução de problemas em ambiente controlado e monitorado.

No caso de Ai, o uso de computadores e telas sensíveis ao toque permitiu registrar respostas com precisão, medindo acertos, erros e tempo de reação.

Entre os métodos mais usados em pesquisas com chimpanzés e outros primatas, destacam-se protocolos que buscam diferenciar condicionamento simples de aprendizado simbólico mais sofisticado, peça central nos debates sobre mente animal.

  • Tarefas de correspondência visual: associação de símbolos a objetos, cores ou quantidades.
  • Testes de memória de curto prazo: números ou imagens aparecem brevemente e somem; o primata precisa lembrar e tocar na ordem correta.
  • Desafios de categorização: agrupamento de imagens por semelhança, como alimentos, ferramentas ou formas geométricas.
  • Atividades de construção simbólica: uso de formas, pontos e linhas para representar objetos vistos antes.

Leia também: Túnel subaquático mais longo e profundo do mundo será inaugurado e fica a 392 metros abaixo do nível do mar

Por que o chimpanzé Ai e seu filho Ayumu são referências em cognição de primatas

Nascida na África Ocidental e levada jovem para a Universidade de Kyoto, Ai tornou-se referência em pesquisas de percepção, memória e linguagem simbólica em chimpanzés.

Em 2000, ela deu à luz Ayumu, que passou a participar de novos experimentos focados em transferência de conhecimento entre gerações e diferenças cognitivas individuais.

Ayumu ganhou destaque internacional em tarefas de memória visual de curto prazo, nas quais números apareciam rapidamente na tela e desapareciam em seguida.

Seu desempenho, em alguns casos comparável ou superior ao humano, chamou atenção para o potencial de memória em primatas e para possíveis raízes compartilhadas de certas habilidades tidas como tipicamente humanas.

Quais impactos esses estudos trazem para compreender a mente humana

Pesquisas com Ai, Ayumu e outros chimpanzés ajudaram a construir um marco experimental para discutir a evolução da mente, comparando desempenho de primatas e humanos em tarefas equivalentes. Isso permite identificar capacidades comuns e traços que parecem ter se intensificado na espécie humana.

Entre os impactos citados estão o fortalecimento da ideia de que chimpanzés compreendem símbolos em certo grau, a valorização do ambiente social e da aprendizagem ao longo da vida, o desenvolvimento de métodos não violentos de estudo da cognição animal e a ampliação das discussões éticas sobre bem-estar de primatas em cativeiro científico.

Como o legado do chimpanzé Ai influencia pesquisas futuras sobre inteligência dos primatas

Com a morte de Ai, pesquisadores ressaltam que seu legado permanece nos protocolos de pesquisa, nas bases de dados acumuladas e na forma como o público passou a enxergar a mente dos chimpanzés.

Trabalhos recentes continuam citando seus experimentos como referência para estudos de linguagem, memória e percepção em primatas.

A trajetória de Ai e de seu grupo consolidou um campo de estudo em expansão, no qual a análise da inteligência dos primatas oferece pistas sobre o comportamento dos chimpanzés e sobre as origens evolutivas de capacidades cognitivas hoje associadas ao ser humano.

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