Chimpanzé Ai, que reconheceu mais de 100 caracteres chineses e o alfabeto inglês, morre aos 49 anos
O anúncio da morte da chimpanzé Ai reacendeu o interesse público pela inteligência dos primatas e pelos modos como esses animais aprendem
O anúncio da morte da chimpanzé Ai reacendeu o interesse público pela inteligência dos primatas e pelos modos como esses animais aprendem, memorizam e interagem com símbolos, transformando sua trajetória, estudada por décadas na Universidade de Kyoto, em um caso emblemático sobre a complexidade da mente dos chimpanzés.
O que os estudos com Ai revelam sobre a inteligência dos primatas
A inteligência dos primatas é entendida como capacidade de aprender, recordar, resolver problemas e utilizar símbolos em diferentes situações controladas.
No caso do chimpanzé Ai, experimentos mostraram que ela reconhecia mais de uma centena de caracteres, o alfabeto latino, números arábicos de zero a nove e várias cores distintas.
Esses resultados indicam que chimpanzés lidam com representações abstratas, indo além do simples condicionamento por recompensa.
Em tarefas que associavam símbolos visuais a cores, como escolher o quadrado rosa ao ver um caractere específico, Ai demonstrou memória de trabalho, comparação e tomada de decisão, reforçando a ideia de que sua cognição envolve processos simbólicos básicos.
"Genius" chimpanzee Ai, whose remarkable word recognition skills made her the subject of much primate cognition research, has died aged 49, Japanese researchers said.https://t.co/YcuE3mJOVt pic.twitter.com/AHrwRlH7Ju
— AFP News Agency (@AFP) January 12, 2026
Como os pesquisadores testam a inteligência dos primatas
Para investigar a inteligência dos primatas, laboratórios especializados combinam tarefas visuais, testes de memória e desafios de resolução de problemas em ambiente controlado e monitorado.
No caso de Ai, o uso de computadores e telas sensíveis ao toque permitiu registrar respostas com precisão, medindo acertos, erros e tempo de reação.
Entre os métodos mais usados em pesquisas com chimpanzés e outros primatas, destacam-se protocolos que buscam diferenciar condicionamento simples de aprendizado simbólico mais sofisticado, peça central nos debates sobre mente animal.
- Tarefas de correspondência visual: associação de símbolos a objetos, cores ou quantidades.
- Testes de memória de curto prazo: números ou imagens aparecem brevemente e somem; o primata precisa lembrar e tocar na ordem correta.
- Desafios de categorização: agrupamento de imagens por semelhança, como alimentos, ferramentas ou formas geométricas.
- Atividades de construção simbólica: uso de formas, pontos e linhas para representar objetos vistos antes.
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¡#HolaCiencia! Los #chimpancés tienen la capacidad de trabajar con secuencias numéricas, además de una memoria que ya querría yo. Este individuo es una hembra de nombre Ai en la universidad de Kyoto • pic.twitter.com/jf71IEl91j vía @AvatarDomy #VideoCiencia Kawai y Matsuzawa
— Apuntes de ciencia (@ApuntesCiencia) November 13, 2022
Por que o chimpanzé Ai e seu filho Ayumu são referências em cognição de primatas
Nascida na África Ocidental e levada jovem para a Universidade de Kyoto, Ai tornou-se referência em pesquisas de percepção, memória e linguagem simbólica em chimpanzés.
Em 2000, ela deu à luz Ayumu, que passou a participar de novos experimentos focados em transferência de conhecimento entre gerações e diferenças cognitivas individuais.
Ayumu ganhou destaque internacional em tarefas de memória visual de curto prazo, nas quais números apareciam rapidamente na tela e desapareciam em seguida.
Seu desempenho, em alguns casos comparável ou superior ao humano, chamou atenção para o potencial de memória em primatas e para possíveis raízes compartilhadas de certas habilidades tidas como tipicamente humanas.
Quais impactos esses estudos trazem para compreender a mente humana
Pesquisas com Ai, Ayumu e outros chimpanzés ajudaram a construir um marco experimental para discutir a evolução da mente, comparando desempenho de primatas e humanos em tarefas equivalentes. Isso permite identificar capacidades comuns e traços que parecem ter se intensificado na espécie humana.
Entre os impactos citados estão o fortalecimento da ideia de que chimpanzés compreendem símbolos em certo grau, a valorização do ambiente social e da aprendizagem ao longo da vida, o desenvolvimento de métodos não violentos de estudo da cognição animal e a ampliação das discussões éticas sobre bem-estar de primatas em cativeiro científico.
Como o legado do chimpanzé Ai influencia pesquisas futuras sobre inteligência dos primatas
Com a morte de Ai, pesquisadores ressaltam que seu legado permanece nos protocolos de pesquisa, nas bases de dados acumuladas e na forma como o público passou a enxergar a mente dos chimpanzés.
Trabalhos recentes continuam citando seus experimentos como referência para estudos de linguagem, memória e percepção em primatas.
A trajetória de Ai e de seu grupo consolidou um campo de estudo em expansão, no qual a análise da inteligência dos primatas oferece pistas sobre o comportamento dos chimpanzés e sobre as origens evolutivas de capacidades cognitivas hoje associadas ao ser humano.
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