“Chamar o Hamas de resistência é glorificar a morte”
Em conversa com Bari Weiss, Douglas Murray ataca o revisionismo pró-Hamas e a decadência moral do Ocidente
O jornalista e escritor britânico Douglas Murray concedeu uma entrevista à editora Bari Weiss, publicada nesta quarta, 1º, no site The Free Press, sob o título “Como cultos da morte infiltraram a América”.
A conversa ocorreu dias depois da participação de Murray no podcast The Joe Rogan Experience, e gira em torno de seu novo livro On Democracies and Death Cults, da guerra em Gaza, do papel da imprensa e da crescente simpatia por grupos terroristas em ambientes universitários americanos.
Segundo Murray, há algo profundamente errado quando jovens americanos gritam “honrem nossos mártires” nas universidades.
“Isso não surgiu do nada em Yale”, disse ele. Para o autor, essa ideologia foi alimentada por bilhões de dólares enviados por regimes como o Catar e o Irã. “Uma vez que querosene é despejado por uma potência estrangeira sobre um ambiente altamente receptivo, algo acontece.”
O ponto mais incisivo de sua crítica recai sobre o debate raso promovido por figuras como Joe Rogan e o comediante Dave Smith. “Se você vai falar sem parar sobre um conflito, deveria se informar.”
Ele denuncia a inversão de valores em que “não ter ido à região virou distintivo de honra”, como se ignorar a realidade local fosse sinal de isenção.
Sobre o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro, Murray afirma: “Eles transmitiram os assassinatos com orgulho — e ainda assim houve gente, inclusive nas elites, que escolheu o lado errado.” E completa: “Chamar o Hamas de resistência é glorificar a morte.”
Para ele, o Hamas, o Hezbollah e o regime iraniano formam cultos que “adoram a morte, buscam a morte para os outros e para si mesmos”.
Murray critica também o colapso moral da nova direita americana. “Não deixem a direita tentar o hitlerismo de novo”, disse.
Segundo ele, parte dos conservadores começou a revisar a história moderna em busca de ideias abandonadas, como o franquismo e o isolacionismo de Pat Buchanan. “O que alguns fazem na hora da vitória revela o que realmente queriam.”
Sobre o Irã, Murray é direto: “O objetivo dos aiatolás é o enriquecimento. Sempre foi.” Ele lembra a frase do historiador Bernard Lewis: “No mundo islâmico, uma década é a menor unidade de tempo.” E alerta: “Trump, Obama ou Biden são passageiros. O plano iraniano é permanente.”
Um dos trechos mais fortes da entrevista relata o momento em que um pai israelense, que perdeu as filhas no massacre da rave Nova, teve de passar por uma multidão pró-Hamas, mascarada e gritando por intifada, para entrar numa exposição em homenagem às vítimas. “Eles celebravam o assassinato das filhas dele”, disse Murray. “São a nova KKK.”
A entrevista termina com uma lembrança de Golda Meir: “Temos uma arma secreta — não temos para onde ir.” E com a citação de um versículo do livro de Salmos: “Não morrerei, mas viverei.” Para Murray, essa é a resposta definitiva a quem deseja o fim de Israel.
Quem é Douglas Murray
Douglas Murray é jornalista, escritor e colunista britânico. Nascido em Londres em 1979, é autor de livros como The Strange Death of Europe e The War on the West.
É vice-diretor do think tank Henry Jackson Society e colaborador frequente de The Spectator, National Review e The Free Press. Reconhecido por seu estilo combativo, Murray é um dos principais defensores contemporâneos do liberalismo clássico e da existência do Estado de Israel.
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Comentários (1)
Rosa
02.05.2025 10:57Abrindo meus olhos Alexandre, parabéns.