"Catargate": Auxiliares diretos de Netanyahu presos por servir ao Catar

06.10.2026

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“Catargate”: Auxiliares diretos de Netanyahu presos por servir ao Catar
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Alexandre Borges
4 minutos de leitura 03.04.2025 06:27 comentários
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“Catargate”: Auxiliares diretos de Netanyahu presos por servir ao Catar

O primeiro-ministro, por sua vez, tem reagido às investigações com acusações à polícia e ao serviço de inteligência interna, o Shin Bet

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“Catargate”: Auxiliares diretos de Netanyahu presos por servir ao Catar
Foto: Gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu

Um escândalo sem precedentes atingiu o governo de Benjamin Netanyahu em Israel, com a prisão de dois de seus assessores mais próximos sob suspeita de manter vínculos remunerados com o governo do Catar.

O episódio, apelidado pela imprensa local de “Catargate”, envolve ainda outros investigados e coloca sob escrutínio a relação entre membros do gabinete do primeiro-ministro e um país que financia o Hamas, grupo terrorista responsável pelos ataques de 7 de outubro de 2023.

As investigações estão sob sigilo parcial, mas documentos divulgados até o momento indicam que os auxiliares teriam atuado, enquanto serviam ao governo israelense, para promover uma imagem positiva do Catar durante as negociações pela libertação de reféns em poder do Hamas.

Segundo relatos da imprensa israelense, o objetivo seria fortalecer a posição do Catar como mediador do conflito, com reflexos também nas relações com os Estados Unidos.

Entre os presos estão Yonatan Urich, assessor de comunicação e conselheiro próximo de Netanyahu, e Eli Feldstein, porta-voz de defesa do governo.

De acordo com o jornal Yedioth Ahronot, Feldstein teria recebido salários pagos por intermédio de agentes ligados ao governo do Catar.

Ambos negam qualquer irregularidade. A defesa alega que as atividades em questão não violam a legislação israelense e que os vínculos com o país estrangeiro eram de conhecimento público.

Um terceiro investigado, também ligado ao entorno do primeiro-ministro, encontra-se na Sérvia e resiste a ser interrogado. Outros dois suspeitos, entre eles o editor do Jerusalem Post, estão em prisão domiciliar. O editor esteve em visita oficial ao Catar no ano passado a convite do governo local.

O primeiro-ministro, por sua vez, tem reagido às investigações com acusações à polícia e ao serviço de inteligência interna, o Shin Bet.

Netanyahu classificou os assessores presos como “reféns” e denunciou suposta atuação do“estado profundo” (“deep state”) contra seu governo. Em declarações públicas, associou a ação das autoridades à tentativa de derrubá-lo por vias extrajudiciais.

Na semana passada, Netanyahu anunciou a demissão do diretor do Shin Bet, Ronen Bar, responsável direto pela investigação.

A medida foi suspensa pela Suprema Corte devido ao potencial conflito de interesses. Em uma reviravolta incomum, o premiê anunciou um substituto e, menos de 24 horas depois, voltou atrás.

A crise institucional ocorre enquanto o país ainda lida com os desdobramentos do ataque do Hamas, com dezenas de reféns israelenses mantidos em Gaza e mísseis sendo lançados contra o território por houthis do Iêmen, aliados do Irã.

Em meio à pressão militar e social, cresce também o desgaste político: pesquisa divulgada no fim de semana aponta que 70% dos israelenses dizem não confiar no governo, e Netanyahu aparece atrás de Naftali Bennett nas intenções de voto.

Ex-integrantes do alto escalão da segurança israelense têm se manifestado com preocupação. Yoram Cohen, ex-diretor do Shin Bet, afirmou que alguém na situação de Feldstein, sob suspeita de vínculos estrangeiros, jamais deveria ter tido acesso ao gabinete do premiê.

Roni Alsheikh, ex-chefe da polícia e indicado pelo próprio Netanyahu, disse que a aproximação com o Catar foi autorizada pelo primeiro-ministro desde 2018, quando se permitiu a entrada de dinheiro vivo na Faixa de Gaza com a intenção de “comprar estabilidade”.

A legislação israelense proíbe contato com agentes estrangeiros quando há conflito de interesses, mas caberá à Justiça determinar se houve crime ou apenas imprudência administrativa.

Até lá, permanece a dúvida sobre o grau de conhecimento e envolvimento do primeiro-ministro nas atividades de seus auxiliares.

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