Casa Branca cita a si mesma para justificar banimento de site
Documento usado pelo governo Trump contra Politico inclui informação distribuída oficialmente em briefing à imprensa
O governo de Donald Trump apresentou à Justiça americana uma reportagem do site Politico como exemplo de violação ética para justificar o veto à cobertura da Casa Branca — mas o texto citado reproduzia dados fornecidos pelo próprio governo em um informe oficial a jornalistas, ocorrido em junho.
A informação consta em cartas enviadas por advogados da Casa Branca a um tribunal federal que julga ação movida por Politico, CNN e MS NOW contra a proibição.
Origem da informação contestada
Segundo o jornal The Washington Post, que teve acesso aos documentos, a reportagem mencionada pelo Executivo tratava do andamento das negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
Na ocasião, uma autoridade do governo, sob anonimato acordado previamente com os repórteres, declarou: “Não posso dar uma data exata [sobre a conclusão do acordo]. E se eu tivesse que dar alguma garantia de que chegaríamos a um acordo, talvez dissesse 75% esta manhã. Provavelmente está mais perto de 80, 85% agora, mas não é 100%”.
Dias após a declaração, foi anunciado o único cessar-fogo tornado público durante o conflito entre os dois países. Outros veículos participaram do mesmo briefing e publicaram a mesma informação, sob as mesmas regras de sigilo da fonte, sem sofrer sanções.
Disputa segue nos tribunais
Trump anunciou a proibição contra os três veículos na sexta-feira, 18, alegando, sem apresentar provas, que as empresas divulgavam conteúdo falso. Politico, CNN e MS NOW recorreram à Justiça alegando violação da Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão.
Em petição apresentada nesta quarta-feira, 23, o governo argumentou que o acesso de jornalistas à Casa Branca constitui um privilégio concedido pela administração, não um direito assegurado por lei. Na mesma data, o juiz federal Timothy Kelly, indicado por Trump em 2017, conduziu uma audiência de emergência sobre o caso.
Kelly afirmou que a medida da Casa Branca parece contrariar entendimento anterior do tribunal de apelações do Distrito de Colúmbia, segundo o qual jornalistas têm direito a um processo formal antes de perderem credenciais de acesso.
Apesar da observação, o magistrado não decidiu sobre o pedido de liminar apresentado pelos veículos, e a proibição de acesso permanece em vigor até nova decisão judicial.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)